Revista Sucesso

Atualizado em 06/03/2017

Qualidade de vida

Viveremos mais, mas viveremos melhor?

Crescimento da expectativa de vida levanta discussão sobre a qualidade de vida na idade madura

Da redação

Ao mesmo tempo em que a expectativa de vida ao nascer do brasileiro sobe – em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela já era de 75,4 anos – a taxa de fecundidade no país diminui drasticamente – no mesmo ano, ela era de apenas 1,57 filhos por mulher. Tudo isso nos leva a concluir que, em alguns anos, haverá um aumento significativo da população idosa, o que por sua vez levanta a discussão necessária sobre o impacto desse fenômeno sobre áreas como a previdência e os custos dos serviços de saúde voltados a essa parcela da população.

Para o geriatra Marcos Cabrera, diante desse cenário, é importante que voltemos nossas atenções não somente a “quanto” as pessoas estão vivendo, mas “como”. “A medicina evoluiu aumentando a expectativa de vida, mas não teve a mesma competência para melhorar a qualidade de vida. Temos a garantia de que vamos viver mais, mas não a garantia de que vamos viver melhor. Hoje, a proporção de população idosa é de aproximadamente 13%. Em 20 anos, esse número deve subir para 20%”, pontua o médico, que é doutor em ciências médicas e professor da disciplina de geriatria do curso de medicina da UEL.

Determinantes - Mas, afinal, como se preparar para chegar à fase madura com qualidade de vida? Segundo Dr. Cabrera, um envelhecimento bem-sucedido, como ele chama, depende, em parte, de um conjunto de determinantes biológicos, que envolvem a genética do indivíduo e sua propensão a doenças crônicas, assim como os hábitos cultivados ao longo da vida, mas não só isso. “Um diabético ou hipertenso pode envelhecer bem controlando a doença. Não se trata de não ter doenças crônicas, mas de como vamos administrá-las”, afirma. Envelhecer bem, segundo o médico, depende ainda de determinantes psicoafetivos, como a sociabilização do indivíduo, suas relações afetivas, seu otimismo e resiliência, que é a capacidade de lidar com problemas e resistir à pressão de situações adversas. “É importante que o indivíduo tenha um projeto de vida, que mantenha seu protagonismo. Se você perde isso, fica distante, acaba se tornando coadjuvante.” É por isso, segundo o médico, que muitas pessoas, ao se depararem com as transformações advindas da idade madura, acabam entrando em depressão.

Repensar a cidade - Ao falar em determinantes biológicos e psicoafetivos, segundo Dr. Cabrera, estamos falando do ponto de vista do indivíduo. Para além disso, de acordo com o especialista, é necessário que avaliemos o tema do ponto de vista social. Cabe à sociedade garantir ao idoso o exercício de sua cidadania, com acesso garantido a trabalho, lazer, educação, entre outros. “Se daqui a 20 anos a cidade será habitada por pelo menos 20% de idosos, precisamos repensar a mobilidade urbana também”, acrescenta.

O caminho até lá - Doutor Cabrera lembra que não só o que acontece durante a velhice é determinante de um envelhecimento bem-sucedido. “Muitos dos traumas físicos ou psíquicos que ocorrem na infância podem gerar problemas na velhice. O mesmo acontece quando há quebra de vínculos na vida adulta, que pode ser por divórcio, viuvez, falta de emprego, ou por outro motivo.” É ao longo da vida, segundo o médico, que vamos nos preparando para um envelhecimento bem-sucedido.

Dr. Marcos A. S. Cabrera,
Geriatra  
CRM PR 13972 

Geriatra, Marcos Cabrera, Geriatria Londrina
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