Revista Sucesso

Atualizado em 29/08/2016

Saúde

Violência de gênero

Este ato criminoso causa traumas irreversíveis na vida das mulheres vítimas

Da redação

A violência sexual nos dias atuais vem chocando nossa sociedade. Em tempos de pós-modernidade e evolução tecnológica, nos deparamos com casos de estupro individuais e coletivos que causam flagrante à vida das mulheres que ainda hoje têm dificuldade em dar credibilidade ao estupro sofrido. Tal violência engendra uma percepção do feminino enganoso e falso. O corpo feminino visto como imagem degradante e transformado como objeto de satisfação sexual simplesmente pelo prazer de competir, de controlar e de exercer seu poder.

A vulnerabilidade do homem na pós-modernidade ainda sob os parâmetros dos gêneros ocasiona sentimentos de ódio às mulheres e a tentativa do silenciamento do feminino através da certificação do poder viril da masculinidade, um comportamento equivocado desses homens que se supervalorizam e se autoafirmam através da subjugação do feminino.

Este ato criminoso causa traumas irreversíveis na vida das mulheres vítimas de um ataque agressivo com expressão sexual, são reações emocionais que podem impedi-las de serem elas mesmas. A mulher se torna refém das cenas, sofre com críticas e julgamentos sociais, medo de ser assassinada; sentimentos de degradação, perda da autoestima, sentimentos de despersonalização, culpa, ansiedade, depressão, temor de andar ou ficar só, medo das pessoas atrás delas e de multidões, temores sexuais, pesadelos recorrentes, síndrome do pânico, tendências suicidas, problemas com relacionamentos íntimos, entre outros. Tudo isso resulta em um caos emocional e na necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico ao longo de suas vidas para conseguirem se reestabelecer como sujeitos na sociedade.

Presencia-se a perda da identidade masculina e feminina, dos princípios familiares, da ética e moral dos grupos e do sexual. Vive-se a época do relativo, em que existe um excesso de verdades que poluem as redes sociais, descrença das ideologias, as regras sociais em colapso, cada pessoa tem sua própria verdade.

Na Idade Média, a aplicação da justiça era executada publicamente junto ao pelourinho, através de apedrejamento e outras torturas. Na era das tecnologias da informação e da comunicação, as esferas midiáticas e as redes sociais vêm substituindo os pelourinhos. “A mulher continua sendo a responsável pelo estupro, pois poderia ter evitado de alguma forma.”

O ato do estupro enquanto violência de gênero numa sociedade pós-moderna vem demonstrar a necessidade de reconstruir os papéis masculinos e femininos. Para a sociedade ficar livre de estupro, é necessário ressignificar os conceitos culturais do que é masculino e do que é feminino, com base na igualdade, complementaridade e respeito mútuo, nunca na exploração.


Dorotéia Murcia Souza
(CRP 03534-8), psicóloga clínica especialista em psicopedagogia
Centro de Desenvolvimento do Potencial Humano
Rua Fernando de Noronha, 720 | (43) 3026-7990
http://www.doroteiamurcia.com | http://www.cdph.com.br/

revista sucesso, bem-estar, violência, Dorotéia Murcia Souza
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