Revista Sucesso

Atualizado em 14/05/2018

Gastronomia

Um pão especial

Algumas coisas são fundamentais, além dos ingredientes, para fazer um bom pão. Intuição, paciência e limpeza

Da redação

Meu pai era o tipo do homem espanhol que não conseguia viver sem pão. Apesar de ter vindo ao mundo pelo menos um século antes da Bela Gil, tinha umas modernidades gourmet em comum com ela, que ficou famosa por seu churrasco de melancia. E meu pai comia pão com melancia! Parece brincadeira, mas é sério, podia faltar de tudo à nossa mesa, mas o pão era imprescindível.

Durante alguns anos da minha vida, dediquei-me a fazer pão uma tarde por semana. Era tão farta a produção que muitos pães eram para presente, para algum vizinho, para amigos. Do meu forno saía tudo que era tipo de pão, com uma coisa em comum: todos de farinha de cereal integral. Já fiz pão de cenoura, mandioca, cará, arroz integral cozido, entre outros. Com trigo sarraceno, fubá, farinha de arroz, farinha de grão-de-bico, centeio, sem faltar, é claro, o de cereal que mais gostamos - farinha de trigo integral. Mas nenhum deles fica tão bom quanto o de mandioquinha-salsa, a batata-baroa.

Algumas coisas são fundamentais, além dos ingredientes, para fazer um bom pão. Intuição, paciência e limpeza. Minhas mãos são para o pão, unhas cortadas rente aos dedos, sem anéis, esmalte ou qualquer fricote feminino. A cozinha limpa como laboratório, a bancada onde amasso, desinfetada com álcool de 90 graus. Esses cozinheiros que a gente vê por aí cheios de relógios e pulseiras, ou as unhas da fada má, vermelhas e verdes, me dão asco.

Fazer pão é coisa séria e muito divertida. Graças a Deus não tenho doença celíaca, então meu pão é com glúten e com tudo a que tem direito. Saborosíssimo.


Pão da Baronesa: (em formas de pão, rende 4 receitas)

½ kg de mandioquinha-salsa cozida com a casca. 50 gramas de fermento para pão, que pode ser o Fleischmann. Que é o nosso “levain” de toda vida, tão bom e biológico como qualquer outro. Se for desidratado, 2 colheres de sopa.

1 xícara de água morna. 1 xícara de chá de óleo. 3 ovos. 1 xícara de açúcar mascavo ou 1/2 xícara de mel para o pão ficar macio. 1 colher de chá de sal ,mais ou menos. 1/2 kg de farinha de trigo integral. Deixe o pacote de 1 kg aberto à mão.

Descasque a mandioquinha e coloque para bater no liquidificador com os ovos, a água morna, o fermento, o óleo, o açúcar e o sal. Coloque a farinha no fundo de um bowl de plástico, grande, faça um buraco no meio e comece a verter o batido do liquidificador aos poucos, misturando com uma das mãos, até virar um angu grosso. Enfarinhe a superfície da bancada e as duas mãos até o angu desgrudar delas. Verta o angu em cima da bancada, limpando com farinha seca os resíduos da bacia. Enfarinhe as mãos e comece a amassar o angu até virar uma bola homogênea. Sempre enfarinhando por fora da e nas mãos, que é para não empanzinar. Coloque a bola de massa de volta ao bowl e deixe a massa crescer quieta, num canto sem vento da cozinha. Por duas horas. Cresceu, volta para a bancada para dar o formato, qual quiser. Asse até dourar em forno bem quente, no máximo. Retire do forno e coloque para esfriar numa toalha e aí, pode atacar. Ele é bom até puro.

Maria de Los Angeles, pão, fazendo pão, caseiro, Londrina, gastronomia
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