Revista Sucesso

Atualizado em 14/08/2020

Saúde

Tratamentos de câncer não podem parar em meio à pandemia

Diagnósticos e procedimentos adiados representam sérios riscos à saúde dos pacientes

Da redação

Com o rápido aumento de casos do novo coronavírus no Brasil e no mundo, as atenções da população em relação à saúde se voltaram aos cuidados necessários para evirar o contágio de COVID-19. Essa nova realidade tem gerado outros sérios problemas, como a fuga de pacientes oncológicos dos hospitais por conta do medo de contrair a infecção respiratória nos ambientes hospitalares. Esse comportamento tem preocupado os especialistas e pode causar a piora no prognóstico da doença devido ao atraso na realização de exames. Além disso, já é possível notar a interrupção ou a descontinuidade de tratamentos.

Estudos feitos pelas Sociedades Brasileiras de Cirurgia Oncológica e de Patologia mostram que, por causa do novo coronavírus, houve redução de até 90% da realização de exames no Brasil e pelo menos 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer, nos últimos meses. Como é sabido, quanto mais cedo for feito o diagnóstico de um câncer, mais chances do tratamento dar certo. Se o diagnóstico for feito tardiamente, o índice de cura diminui e complicações podem aparecer mesmo depois da doença ter sido tratada.

Há uma tendência de doenças que estiverem mais avançadas (menor potencial de cura) e os tratamentos passarem a ser ainda mais agressivos e onerosos. e acordo com o oncologista clínico do Hospital Pilar, Elge Werneck, a letalidade do câncer normalmente é maior que a da COVID-19. Por isso, o tratamento não deve ser interrompido. O médico cita como exemplo o tumor de pulmão. "Somos um país com letalidade alta pelo coronavírus, em torno de 6%. Mas, a letalidade de câncer do pulmão chega a ser mais de 84%. Ou seja, o paciente não pode parar um tratamento dessa doença devido ao medo de contrair COVID-19", alerta.

Sabe-se que muitos pacientes com câncer, em pleno tratamento, ficam com o sistema imunológico mais frágil e por isso são mais vulneráveis no caso de contrair o novo coronavírus, tendo uma tendência maior a apresentar complicações graves. Por essa razão, Werneck orienta que a pessoa sempre converse com o seu médico para verificar a necessidade e a possibilidade de postergar o tratamento, mas a regra geral é que não seja interrompido. "Essa situação é preocupante porque o câncer não espera e a doença vai progredir. Um tratamento individualizado, que leve em consideração a situação imunológica de cada um, e sempre orientado pelo especialista, é o mais indicado para esse momento", afirma o médico.

O oncologista reforça ainda as medidas de segurança para prevenir a doença, como isolamento social, higienização das mãos e uso das máscaras, que são alguns dos cuidados que devem ser mantidos por todos. "A prevenção deve existir e de forma ainda mais intensa ao paciente oncológico, mas a saúde não pode ser deixada para depois. Lembrando que, quando falamos em câncer, falamos de doenças altamente letais, com outras menos agressivas. Para os pacientes mais idosos e com doenças complexas, existe a possibilidade de fazer um tratamento menos agressivo numa fase mais precoce, postergando o procedimento cirúrgico. Reforço que é essencial que o paciente converse com o seu médico e entenda a agressividade da doença em questão", completa Werneck.

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