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Tecnologia na educação: veio pra ficar

Professor Vargas, do Ateneu, comenta como a escola incluiu o uso das ferramentas tecnológicas em sua grade curricular

Da redação

Já faz algum tempo que o quadro-negro e o papel deixaram de ser os únicos instrumentos de exposição de conteúdo nas escolas. A revolução tecnológica, nas últimas décadas, mudou a forma como nos comunicamos, acessamos informações e até como pensamos. Para o professor Miguel Vargas, diretor pedagógico do Colégio Ateneu em Londrina, “inevitavelmente, a tecnologia chegou para ficar” e é preciso haver uma quebra de paradigmas para que as escolas acompanhem essa evolução. “O uso cada vez mais constante da tecnologia na educação é uma tendência natural, mas o professor ainda é indispensável. No Ateneu, implantamos um processo híbrido, entre aulas presenciais e atividades virtuais para serem realizadas em casa”, explica. Educador há 40 anos, Vargas tem formação em engenharia agronômica e em química. Ele foi um dos fundadores do colégio e, além de estar na direção há 16 anos, leciona química para os estudantes.

Choque de gerações - Quando o assunto é tecnologia na educação, é preciso levar em conta o conflito de gerações com que muitas vezes as escolas se deparam. Enquanto os alunos fazem parte das gerações Y e Z, marcadas pela revolução na forma de agir e pensar proporcionada pelo avanço tecnológico; os professores, por sua vez, muitas vezes vêm de gerações mais antigas, que cresceram com o sistema analógico. “Nos últimos anos, as mudanças geradas pela tecnologia foram drásticas. Por isso, para as gerações mais antigas, a adaptação leva um pouco mais de tempo. E isso é um paradoxo, pois os professores mais antigos são o grande patrimônio do colégio. No Ateneu, procuramos investir na atualização dos professores e incentivá-los a conhecer e aderir às mídias digitais. É preciso evoluir como um todo”, afirma Vargas.

Para o aluno, por outro lado, este processo já está naturalizado. “Hoje eles não usam mais dicionário, pesquisam no Google. O papel da escola é orientá-lo na utilização da tecnologia, não só como instrumento de comunicação, mas como forma de conhecimento. É preciso haver orientação do professor para não incorrer em informação sem formação e para que o aluno saiba filtrar aquilo que acessa.”

Tecnologia no Ateneu - Todos os dias, os estudantes do Ateneu acessam uma plataforma digital com tarefas eltrônicas, em forma de quiz, para serem realizadas em casa. “Tarefas são muito produtivas em qualquer sistema, mas o meio digital traz vantagens: o próprio sistema faz a correção e dá nota, além de registrar informações como o tempo que o aluno levou para completar a lição. O aluno tem ainda a chance de refazer a tarefa para melhorar a nota. São duas tentativas possíveis, com perguntas diferentes da primeira vez, sobre o mesmo tema”, comenta o professor. Os quizzes são também muito utilizados como forma de estudar para a prova. “Além disso, também utilizamos os recursos audiovisuais durante as aulas como forma de corroborar a formação de conhecimento, através de projetos, filmes, vídeos, etc.”

Outra vantagem da tecnologia é proporcionar não só o papel de espectador, mas também de produtor de conteúdo. Além das tarefas digitais, o colégio Ateneu incluiu em sua grade curricular, há 10 anos, o uso de uma plataforma digital australiana muito utilizada por universidades do mundo todo. O Moodle, como é chamado, possibilita a interação entre professor e aluno. “Lá os alunos podem buscar informação e postar conteúdos produzidos por eles, sob supervisão do professor. Na plataforma, ele tem acesso a um caderno e um livro digital em branco, que será escrito por ele mesmo ao longo do ano. O aluno contrói o livro, ele é o protagonista. Esse projeto atua com alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Os recursos são imensos e o que percebemos é que quando o aluno produz o conteúdo, isso acrescenta muito mais a ele que uma aula expositiva.”

Quanto ao celular na sala de aula, professor Vargas é enfático ao afirmar que não deve ser permitido. “Não há como proibir a entrada na escola, mas na sala de aula eles não podem usar. Nosso desafio é utilizar a tecnologia a favor da educação, o equipamento existe para nos auxiliar, mas o professor ainda é o instrumento mais importante na educação”, afirma.

Para o professor Vargas, falar em mudanças na educação passa pela necessidade de revermos o sistema educacional como um todo no Brasil. “Atualmente, temos um sistema conteudista, cujo único objetivo é formar alunos para passar em provas. Isso tira a possibilidade de um ensino mais dinâmico. Se um dia chegarmos a um sistema menos vestibulocrata, será possível diminuir o número de aulas presenciais”, conclui.

Colégio Ateneu
Rua Canudos, 261 
Londrina/PR
(43) 3321-1866

 

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