Revista Sucesso

Atualizado em 17/05/2018

Qualidade de vida

Problemas Urbanos de Verão: alagamentos, vetores e resiliência

A grande concentração de chuvas em curto espaço de tempo tem gerado alagamentos em inúmeras cidades do país, já que a quantidade excessiva de água extrapola a capacidade de absorção e drenagem das estruturas públicas, causando diversos prejuízos c

Da redação

Nas últimas décadas têm sido claramente perceptíveis os extremos climáticos trazidos pelas estações do ano. O outono que transita entre o verão e o inverno, preparando nosso organismo para mudança do clima quente para o frio. O inverno gelado, seco, com vento e nebulosidade (neblina ao amanhecer e entardecer). A primavera com sua florada exuberante, que pode causar incômodo aos portadores de rinite alérgica, devido ao pólen emitido nessa estação. Já o verão, com sua característica chuvosa, é a estação que mais tem causado transtornos à vida da população e infraestrutura urbana, ou seja, gerando impactos sociais, econômicos e ambientais.

O excesso de pluviosidade (chuvas) é marcante no verão e tem sido a cada ano mais frequente e intensa, provocando deslizamentos de encostas, erosões, carreamento de resíduos e da lavagem urbana (óleos, bitucas, chorume, etc.) aos corpos hídricos, causando o assoreamento dos rios, poluição e contaminação de mananciais de abastecimento público.

O verão também é conhecido pelo clima quente, abafado e úmido, ambiente propício para proliferação de “pragas urbanas” como mato, escorpiões, formigas, ratos, pernilongos e mosquitos que transmitem febre amarela e malária, além do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A grande concentração de chuvas em curto espaço de tempo tem gerado alagamentos em inúmeras cidades do país, já que a quantidade excessiva de água extrapola a capacidade de absorção e drenagem das estruturas públicas, causando diversos prejuízos como inundações, enxurradas, confusão no trânsito, resíduos nas galerias pluviais (bueiros), buracos no sistema viário e quedas de árvores, sem contar os transtornos causados à população, principalmente residentes nas porções mais baixas do território. Em sua maioria, as pessoas mais atingidas pelas chuvas estão em situação de vulnerabilidade social e sem acesso a soluções de engenharia, fato que aumenta o potencial dos danos decorrentes.

Tal situação é ocasionada pela soma de diversos fatores. A urbanização desordenada aliada à expansão das atividades industriais que atraem mais pessoas para os núcleos urbanos, a ocupação de residências em áreas de risco, tais como encostas e planícies de inundação, a impermeabilização do solo, que reduz a infiltração e abastecimento do lençol freático (comprometendo a recarga de água subterrânea), desmatamento, entre outros.

Todos estes fatores e suas consequências causam severos prejuízos de ordem social, ambiental e econômica, promovendo mudanças rigorosas no ambiente, como concentração da poluição, perda da biodiversidade, produção de lixo e esgoto, reflexos negativos sobre os sistemas de saúde. Segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, analisando dados do Atlas Brasileiro de Desastres Naturais de 2002 a 2012, os eventos climáticos no Brasil causaram prejuízo em torno de R$ 278 bilhões. Segundo relatório de 2015 da World Wildlife Fund - WWF, estima-se que até 2050 as perdas causadas por eventos climáticos no Brasil transite entre os R$ 800 bilhões e R$ 3.6 trilhões de reais.

Os eventos climáticos extremos são crescentes. Na última década o Paraná registrou 403 ocorrências que resultaram em 30.777 desabrigados, 1.040.503 afetados e 20.952 desalojados. Os impactos econômicos consumiram para o estado o equivalente a 2,82% do PIB do período.

As soluções para os problemas climáticos também passam por uma soma de fatores, que é pertinente às condutas individuais (cidadania), adequado planejamento territorial e urbano, infraestruturas sustentáveis e preparadas para o enfrentamento às mudanças climáticas. Toda ação humana, seja individual ou coletiva, contribui para a situação caótica enfrentada pelas cidades brasileiras, desde a disposição adequada do lixo, respeito aos limites de aproveitamento e edificação de cada área, reserva de áreas verdes e permeáveis no uso do solo, valorização dos serviços ecossistêmicos, ou seja, a aplicação da Nova Agenda Urbana (ONU) para a construção de cidades sustentáveis.

Em 2009, o Brasil aprovou a Política Nacional sobre Mudanças do Clima (Lei nº 12.187/2009). Já em 2012 foi promulgada a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012) e lançado o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, estruturando o sistema em ações de prevenção, monitoramento, resposta a desastres e governança.  O adequado planejamento territorial e urbano é o melhor mecanismo para promoção de regiões e cidades sustentáveis. Um dos instrumentos de planejamento territorial é o zoneamento ambiental municipal que objetiva conciliar desenvolvimento econômico, combate às desigualdades sociais, preservação da natureza e dos serviços ambientais, aliando diversos instrumentos normativos neste espírito, como o Estatuto da Cidade, a Política Nacional do Meio Ambiente, de Saneamento Básico, Resíduo

problemas urbanos, vetores, alagamentos, direito ambiental, Roberta Silveira Queiroz, Londrina
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