Revista Sucesso

Atualizado em 27/09/2017

Saúde

Por que o uso excessivo de álcool por idosos é tão perigoso?

O Dia Nacional do Idoso chama atenção para as consequências do consumo de bebidas alcoólicas na terceira idade

 

Da redação

As complicações de saúde são o maior temor sobre o envelhecimento para 77% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest, e essa preocupação faz sentido. Além das doenças comuns em pessoas acima de 60 anos, outro tema chama a atenção dos profissionais da área da saúde: o uso de álcool. O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), organização não governamental que se destaca como fonte de informação sobre saúde e álcool, reforça o alerta sobre as consequências do consumo pesado de álcool nessa faixa etária neste Dia Nacional do Idoso, comemorado no dia 1º de outubro.

 “Os idosos tendem a sofrer de problemas emocionais, sociais e de saúde, como: viuvez, solidão, perda de amigos, aposentadoria, dor crônica, insônia, depressão e ansiedade. Estes fatores podem aumentar o risco de uso pesado de bebidas alcoólicas como uma maneira de lidar com esses problemas, pois o álcool tem um efeito depressor do Sistema Nervoso Central, provocando relaxamento, sono e sensação de prazer”, destaca o  Dr. Arthur Guerra.

 O envelhecimento da população brasileira e o consumo de álcool de maneira excessiva e frequente entre idosos têm colocado em alerta os profissionais de saúde. Uma pesquisa nacional demonstrou que 12% dos entrevistados com mais de 60 anos foram classificados como bebedores pesados (mais de 7 doses/semana), 10,4% como bebedores pesados episódicos (mais de 3 doses em uma única ocasião) e quase 3% foram diagnosticados como dependentes.

 O perigo do consumo pesado de álcool nessa faixa etária está atrelado a fatores do próprio envelhecimento, como alterações no organismo e comportamentais. Mudanças fisiológicas e da composição corporal aumentam a sensibilidade ao álcool, ou seja, com a mesma quantidade de álcool, o idoso atinge uma alcoolemia maior do que os jovens. Isso porque pode ocorrer modificação da capacidade de metabolização hepática e função renal, além de maior tendência à desidratação.

 O excesso de ingestão de álcool também pode agravar doenças como diabetes, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, problemas hepáticos, osteoporose, problemas de memória, distúrbios do humor, e levar a quadros depressivos, de irritabilidade, confusão mental e deficiências nutricionais, desencadeando doenças neurológicas e demenciais.

 Outra questão de destaque é que o uso de álcool concomitante com medicamentos, fato comum na terceira idade, aumenta o risco de interferência nos efeitos do medicamento, com redução da eficácia ou intensificação dos efeitos. Já sua ingestão com outros depressores do Sistema Nervoso Central (tranquilizantes, anti-histamínicos, ansiolíticos, analgésicos, antidepressivos) faz com que certos efeitos sejam exacerbados, como sedação, sonolência, perda de coordenação motora e de memória. “Isso expõe o indivíduo idoso a maior risco de queda, acidentes, intoxicação e até mesmo morte”, afirma Dr. Arthur, que lembra que mesmo não sendo ingeridos ao mesmo tempo, é possível ocorrer interação, pois alguns remédios demoram para ser absorvidos ou seus efeitos são prolongados.

 Precisamos ser realistas em relação a esse novo cenário: o Brasil está envelhecendo duas vezes mais rápido que a média mundial, se a taxa atual se mantiver, segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A saúde é um ponto nevrálgico para essa população e o consumo de álcool entre os idosos merece atenção urgente e evidencia a necessidade de desenvolvimento de campanhas de conscientização e políticas públicas para a identificação e a prevenção do consumo abusivo de álcool.

 Sobre o CISA

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental criada em 2004 e qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) desde 2005, consolidou-se como a maior fonte de informações no país sobre o binômio álcool e saúde. Acesse o site e confira o banco de dados, com publicações científicas reconhecidas no cenário nacional e internacional, dados oficiais (governamentais) e informações de qualidade publicadas em jornais e revistas sobre o álcool e suas relações com o corpo, a mente e a sociedade.

Fonte: Redação com assessoria de imprensa

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