Revista Sucesso

Atualizado em 14/05/2018

Educação

Perdão

Perdoar é dos atos que mais satisfação interior traz. Nos deixa leves, felizes, airosos e com autoestima alta.

Da redação

Perdoar é dos atos que mais satisfação interior traz. Nos deixa leves, felizes, airosos e com autoestima alta. Isso, mais do que ser perdoado! Mas comumente erramos ao abordar este tema. Acabamos confundindo-o com alguma atitude psicológica de relativização da ofensa ou até de certo esquecimento.

Perdoar na verdade significa desculpar um erro ou uma ofensa contra nós. Na Bíblia a palavra usada para este conceito significa literalmente “abrir mão, deixar ir embora”. Como se na verdade abríssemos mão de uma dívida... Jesus na única oração que nos ensinou, o Pai-Nosso, de fato disse: “Perdoa-nos os nossos pecados, pois nós mesmos também perdoamos a todo aquele que está em dívida conosco.” (Lucas 11:4). Estamos falando aqui, de não exigir condições para o fim do ressentimento. Sem condições, sem juros, sem pedido de desculpas. Estamos falando de perdão no campo moral e não psicológico ou simplesmente humano. Perdoamos aos outros porque essa é simplesmente a única condição exigida para usufruir do perdão de nosso Pai, “pois ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45).

Muita gente inicia falando que “perdoa, mas não esquece”. E com isso diz que tem “dificuldades em perdoar”. Ora, esse é um mau começo! Como teremos controle sobre o esquecimento de uma ofensa, principalmente se ela nos desestruturou? Creio que morreremos lembrando disso. Até porque o nosso povo diz com razão, que “quem bate esquece, mas quem apanha nunca”! Então queridos leitores, estamos falando aqui de algo maior do que lembrar ou esquecer! Estamos falando de intrinsecamente reconhecermos, no ato do perdão, a ontológica limitação do outro que é em última análise a nossa também. “Quem não errou atire a primeira pedra”, nos diz Jo 8, 1-11. Levante-se quem nunca precisou do perdão do seu semelhante! A Bíblia diz que a mão pesada do nosso “credor” nos sufoca e quando ele retira a mão de cima de nossa cabeça, então respiraremos e viveremos! “A tua mão pesava dia e noite sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão...” (salmo 32). Matamos quando não perdoamos. Impedimos de viver quando negamos o perdão.

Perdoar a alguém é coisa muito séria.  É uma atitude que nasce da soberania da vontade, que é espontânea e ao mesmo tempo necessária, no sentido filosófico do termo. Estamos cuidando da nossa saúde psicopatológica e espiritual.  Estamos nos mantendo saudáveis em todos os sentidos. Se o perdão é essencial para que o devedor continue vivendo e seguindo a sua vida, é mais importante ainda para nós que nesse momento nos sentimos credores.  O rancor e o ressentimento envelhecem precocemente a pessoa. Nos destroem. A falta de perdão originou guerras, que trouxeram fome, estupros, atrasos vários e milhões de mortes.  Não perdoar é nos tornarmos vulneráveis a uma série infinita de desgraças.

Perdoar é sinônimo de vida.  A morte ronda os que se recusam a perdoar o seu irmão.  A experiência nos mostra constantemente esta infeliz verdade.  No Brasil atual, em que divergências políticas e ideológicas mais se acentuam, o perdão continua sendo a palavra do dia. Para construirmos uma sociedade justa e solidária é urgente que se relativizem as diferenças e se sublinhem as semelhanças como cidadãos, apostando na tolerância como o caminho da reconciliação.

Perdoar, catolicismo, Padre Manuel Joaquim R. dos Santos, Londrina
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