Revista Sucesso

Atualizado em 05/08/2016

Profissionais de destaque

Para psicólogas, falar sobre o vazio, medo, raiva e culpa é uma saída saudável para a angústia

Mulheres de Sucesso: Renata Brigati Viggiani e Yáscara Botelho

Da redação


Para psicólogas, falar sobre o vazio, medo, raiva e culpa é uma saída saudável para a angústia
Na concepção das psicólogas Renata Brigati Viggiani e Yáscara Botelho, a atual situação socioeconômica do país traz ao psiquismo já deprimido pelo dia a dia uma “descrença” no futuro, ao passo que o sujeito humano se torna refém do vazio, da angústia e da busca pelo prazer imediato, como uma “saída mágica” para o sofrimento.

Renata e Yáscara são especialistas em psicologia clínica psicanalítica e pós-graduandas em neuropsicologia. Renata, que já acumula 16 anos de experiência, explica que a proposta de atendimento das profissionais parte de uma base psicanalítica, que tem como preceito a busca das causas inconscientes dos sofrimentos e dos sintomas.

“As pessoas procuram a psicoterapia pelas dificuldades de enfrentar situações. A partir do autoconhecimento, ocorre um entendimento das causas inconscientes dos sintomas, abrindo para as possibilidades de mudanças. Geralmente, já percorreram um longo caminho e perceberam que chegaram ao limite de suas forças, em que se veem insatisfeitas e perdidas. Ao longo do processo, no entanto, passam a conhecer os seus sentimentos, angústias, raivas, culpas e medos, que muitas vezes estavam ocultos”, complementa Yáscara.

Para Renata, a dissolução de antigos valores resulta em pessoas desiludidas, com a perda da esperança no bem. Em consequência disso, dá-se o fenômeno da indiferença, do recolhimento da afetividade como forma de repressão. “O cenário é de descrença. Descrença no amor, no futuro, na ideia do bem, na política, na justiça, no parceiro, no trabalho. Não sabem mais em que acreditar. A ideia de que se dedicar a algo ou alguém possa ser perda de tempo é muito perigosa”, reflete.
Lidando com sentimentos - Segundo as especialistas, por trás da raiva, há sempre o medo. Medo das diferenças, da rejeição, da insuficiência, do vestibular, de não dar conta da profissão, medo da solidão, medo do futuro, de envelhecer e medo da morte. “O medo e a raiva são manifestações, assim como a culpa, que visam à proteção do sujeito, e não sua destrutividade apenas. Uma das saídas é falar das raivas e das angústias, pois isso irá conduzir em direção ao medo”, apontam. Yáscara ressalta que reprimir sentimentos pode ter consequências desastrosas, seja para a saúde física ou psíquica. “Devemos falar daquilo que nos incomoda, para que não se transformem em agressividade, sintomas e doenças”, pondera.

Aceitar a angústia como um sentimento natural do ser humano, segundo Renata, pode ser o primeiro passo para lidar com ela. “A raiva e o medo são neuropsicológicas, fazendo parte do desenvolvimento humano. O vazio nos convida a buscar algo, pelo sentido maior de nossa existência.”

Psicoterapia - Por que a psicoterapia ajuda? Porque “ser ouvido pelo outro, ter um espaço onde são acolhidas as dores, sofrimentos e incertezas, ter alguém caminhando ao lado e auxiliando o outro a se conhecer e se entender e, com isso, enfrentar as situações de forma diferente e começar a fazer melhores escolhas para sua vida, é o início de uma nova forma de ver e entender o mundo a sua volta”, apontam. De acordo com as especialistas, quando essa angústia não é “falada”, muitas pessoas podem caminhar para as doenças, excesso de consumismo, alcoolismo, abuso de drogas lícitas e ilícitas, ou passam a sofrer das psicopatologias antropofágicas, como depressão, transtorno de ansiedade, transtorno compulsivo obsessivo, transtornos de pânico, entre outros. A psicoterapia dá uma maior compreensão das escolhas que fazemos ao longo da vida.

“Quando o sofrimento se torna maior que o medo das mudanças e não estamos satisfeitos com a vida que levamos, a psicoterapia pode ser de grande ajuda, mas precisa haver o desejo”, aponta Yáscara.
Elas explicam que, muitas vezes, nos desconectamos de nós mesmos como uma forma de defesa, mas enquanto não refletirmos em nossas experiências, enquanto fugirmos de olhar de frente para situações dolorosas e difíceis, não vivenciarmos as perdas e não aprendermos com as experiências, a tendência é repeti-las, até que ocorra o aprendizado e este provoque mudanças. “As fugas trazem um alívio temporário, mas que não se sustentam, e perdemos a oportunidade de aprender com as experiências”. Elas concluem com uma citação daquele que é considerado o pai da psicologia analítica, Carl Jung: “O que você nega o submete e o que você aceita o transforma”.

 

Consultório de psicologia
Rua Pará, 1500 – sala 202
(43) 3336-0243 - Londrina PR

Renata Brigati Viggiani, Yáscara Botelho, psicólogia, medo, raiva, culpa
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