Revista Sucesso

Atualizado em 30/01/2018

Empresas e negócios

Os números da Previdência Social

A teia de interesses inconfessáveis segue mantendo um Estado opressor pela manutenção do cidadão oprimido.  

Da redação

A construção do clichê midiático tem por objetivo manipular as pessoas, especialmente os desinformados. Malfeitores se utilizam da lavagem cerebral com o propósito de modificar atitudes e/ou a crença da população. Devido à manipulação da mídia, um sem número de pessoas passou a acreditar que existe déficit na previdência e que a reforma é necessária e urgente.

A teia de interesses inconfessáveis segue mantendo um Estado opressor pela manutenção do cidadão oprimido.  

“ t’s a crime against the State” – ou seja, um crime de lesa-pátria materializado numa fraude contábil derivada de cálculos equivocados tanto das receitas quanto das despesas havidas na Seguridade Social. Um sistema totalmente diverso daquele preconizado na Constituição Federal. Na conta que faz, o Governo pega apenas a receita das contribuições previdenciárias ao INSS, que é apenas uma das fontes de recursos e, sem embargos, subtrai dessa receita o total dos gastos com os benefícios previdenciários. O cálculo correto é outro! Os valores que devem ser considerados são diferentes daqueles noticiados diuturnamente. Importa dizer que o “SISTEMA PREVIDENCIÁRIO” é superavitário e pode caminhar com suas próprias pernas.

Os números referendados na CPI da Previdência desconstroem por inteiro o discurso daqueles que afirmam que ela é deficitária. O embuste patrocinado por quem eu sei, e você também sabe, alardeia aos quatro cantos que em pouco tempo não haverá dinheiro para pagar as aposentadorias e pensões. O relatório da CPI da PREVIDÊNCIA, que contou inclusive com apoio da base governista, comprovou que no período compreendido entre 2000 e 2015 a Previdência Social registrou um SUPERÁVIT DE R$ 821,7 bilhões de reais, ou seja, uma média de R$ 51,3 bilhões de reais por ano nesse período.  Adicionalmente, cabe ressaltar que nos últimos 20 anos, desvio de finalidade, sonegação, dívidas ativas, ou seja, créditos fiscais não cobrados, não recebidos, resultaram em um prejuízo avaliado em R$ 3 trilhões de reais que resulta numa média R$150 bilhões/ano.     

A Desvinculação das Receitas da União (DRU) é outra forma de retirar dinheiro do sistema. Entre 2000 e 2015 foram retirados R$ 614.9 (bilhões). Atualizado, esse valor representa hoje R$ 1,454 (trilhão). Adicionalmente há que se registrar que o atual governo elevou de 20% para 30% o percentual de retirada de recursos do orçamento da Seguridade para atender outras finalidades.

O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o Brasil perde cerca de R$ 56 bilhões por ano em fraudes e sonegações. Pela CPI esse número chega a R$ 115 bilhões. Segundo estudo apresentado à comissão, a sonegação também decorre da falta de registro de carteira de empregados assalariados. Em 2014, R$ 41 bilhões poderiam ter sido arrecadados. Já a apropriação indébita (ficar com dinheiro que não lhe pertence) foi de R$ 125 bilhões nos últimos quatro anos por parte dos empregadores que cobram dos trabalhadores e não repassam à Previdência.  O governo nada fez.

Há também as desonerações que são feitas para beneficiar empresas, mas, que na realidade, causam grandes perdas de recursos e não trazem benefícios econômicos nem sociais no que se refere à criação de novos postos de trabalho. Nos últimos dez anos, os valores de desonerações mais que triplicaram, chegando a R$ 143 bilhões em 2016, contra R$ 45 bilhões em 2007. O REFIS é um programa governamental para parcelar as dívidas tributárias. Com esse programa a arrecadação espontânea das contribuições para a Seguridade Social despencou em R$ 27,5 bilhões por ano. Com a Medida Provisória 783/2017, nos próximos 3 anos, o prejuízo será de R$ 543 bilhões. 

 A falta de fiscalização, de cobrança dos bilhões devidos à previdência, a inexistência de ação em cima dos sonegadores, a anistia em favor daqueles que não pagam e, principalmente, o dinheiro desviado para outras finalidades, produzem o déficit que os reformistas tanto alardeiam.  O dinheiro da Previdência não pode ser desviado, tem que ficar na Previdência para então beneficiar aquele que contribuiu durante anos – O POVO TRABALHADOR. 

Caro leitor: Antes de finalizar a leitura some os valores negritados e verá que os desvios da PREVIDÊNCIA SOCIAL nos últimos 20 anos atingiram a estratosférica quantia de R$ 4,997 (quatro trilhões, novecentos e noventa e sete bilhões de reais). Os desvios da PREVIDÊNCIA SOCIAL correspondem a 80% do PIB de 2016.

A PREVIDÊNCIA NÃO É DEFICITÁRIA E PONTO FINAL. 

Almir Rockembach
Economista


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