Revista Sucesso

Atualizado em 29/11/2016

Qualidade de vida

O poder terapêutico das plantas

Pesquisador defende uso de plantas medicinais como alternativa econômica, viável e segura

Da redação

Embora se trate de uma técnica milenar, o uso de plantas medicinais ainda desperta dúvidas quanto à sua efetividade. Segundo o professor Alexandre Rocha Alves Pereira, as plantas são uma fonte de cura segura, desde que respeitados os seus limites terapêuticos e consideradas questões relacionadas à sua segurança. “As plantas possuem princípios ativos, que são os responsáveis pela sua atividade terapêutica. Nunca se pode relacionar o seu uso ao conceito de inocuidade, devendo-se ter cuidados com relação à dose, para se evitar os efeitos adversos ou até mesmo a toxicidade”, alerta. Farmacêutico, especialista em bioquímica e coordenador do curso de farmácia da Unopar de Arapongas, o professor concluiu recentemente um estudo sobre o uso de plantas medicinais como alternativa econômica, viável e segura no tratamento de idosos. “Desde épocas mais remotas esse recurso é utilizado para finalidades curativas. O principal fato que corrobora a sua eficácia é a utilização de inúmeras fontes vegetais no desenvolvimento de fármacos amplamente utilizados na medicina atualmente”, argumenta.

Com relação às dúvidas suscitadas sobre o uso, o especialista lembra que a eficácia dessa terapia depende da qualidade da planta utilizada, ressaltando que existem formas corretas de plantio, cultivo e colheita para que os princípios ativos presentes nessas plantas sejam otimizados. “Quando isto é feito da maneira correta, existem inúmeros benefícios em relação aos métodos convencionais. Em nosso trabalho, os principais pontos salientados foram a economia e a segurança,”

O estudo

Sob a coordenação do professor Alexandre Pereira, foi realizado um estudo transversal, com a participação de 351 idosos (60 anos ou mais), através de um questionário semiestruturado, contendo questões sociodemográficas (gênero, idade, renda familiar, escolaridade) e relacionadas ao uso de plantas medicinais (se faz uso, de que forma é usado, cultivo e conhecimento sobre as indicações terapêuticas e toxicidade). A escolha do público idoso, segundo o professor, se deve ao fato de ser essa a faixa etária que mais utiliza medicações e ao fato do fenômeno da transição demográfica vir crescendo ultimamente, aumentando-se cada vez mais o interesse em se estudar o seguimento terapêutico nesse grupo. “Os idosos se beneficiam tanto no sentido terapêutico como econômico. As plantas medicinais possuem um potencial menor de interações medicamentosas, uma vez que a maioria dos idosos faz uso de polifarmácia, condição que os expõe de forma relevante a esse problema,”

Os resultados demonstraram que o uso de plantas medicinais possui ampla aceitação pela população idosa (78,4%), com prevalência no gênero feminino (58,7%). Com relação à renda mensal, 65,5% eram aposentados; 59,3 % recebiam um salário mínimo; e a maioria dos usuários obtinha as plantas medicinais em quintais. A prevalência no gênero feminino, na avaliação do pesquisador, deve-se ao fato de as mulheres serem na maioria dos lares a mantenedora das atividades relacionadas a cuidados pessoais e terapias.

Custo/benefício

Em geral, os remédios e tratamentos prescritos para idosos apresentam elevado custo, que nem sempre se encaixa às condições financeiras do paciente. “Nesse sentido, as plantas medicinais podem ser uma alternativa economicamente viável, visto que em grande parte essas plantas são cultivadas nos quintais, não havendo custo algum para os pacientes”, conclui o pesquisador.

Algumas indicações

As plantas medicinais possuem indicação terapêutica tradicional e confirmada por estudos científicos para as mais diversas patologias. O professor e farmacêutico Alexandre Pereira revela algumas dessas indicações, dentre as muitas que poderiam ser citadas: para problemas gastrointestinais como constipação, flatulência, gastrites e úlceras, aposte no poder terapêutico da espinheira-santa, hortelã, sene e cáscara sagrada. Já para problemas hepáticos, a dica do professor é alcachofra, boldo e carqueja. Para doenças inflamatórias, garra do diabo e malva; enquanto que para problemas respiratórios, são indicados guaco, eucalipto e romã. Já passiflora, kawa-kawa, valeriana e erva-de-são-joão são plantas com propriedades calmantes e ansiolíticas.

plantas medicinais, pesquisa, terapia
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