Revista Sucesso

Atualizado em 29/11/2016

Qualidade de vida

O maior desejo é ser desejado

Psicólogas Renata Viggiani e Yáscara Botelho comentam relação entre desejo e cuidado na criação dos filhos

Da redação

As psicologas Renata Brigati Viggiani e Yáscara Botelho

 

O desejo é o que move o ser humano, o qual tem como maior desejo ser desejado, e em nome dele é possível cuidar. Assim, o cuidado é realizado através de atitudes dos pais que desejaram o filho.

O desejo nasce no filho quando reconhece o desejo do pai e da mãe em cuidar, o que não pode ser uma obrigação e nem algo forçado. É nesse sentir real e nessa experiência confiável que a criança passa, aos poucos, a poder existir como um ser inteiro e com um ego cada vez menos dependente do ego da mãe, que Winnicott vai chamar de ego auxiliar e o qual vai ter muita importância no início da vida do bebê. Em outras palavras, “ela [a criança] vai aprender a desejar cuidar de si mesma quando puder se sentir desejada e cuidada por alguém”.

Ao nascer, o bebê não se vê separado de sua mãe. Para ele, a mãe e o seu seio são uma continuidade dele, que depende dessa mãe para ser cuidado e do seu olhar para que ele mesmo, num determinado momento, possa se ver como uma pessoa inteira, não fragmentada. Desse modo, a empatia da mãe é fundamental para entender o que sente seu bebê. É oferecendo não só os cuidados físicos/ambientais, tão importantes para garantir a sobrevivência, mas também a sua devoção, que a mãe demonstra seu amor.

O bebê vai se constituindo a partir desse olhar da mãe, que lhe traz confiança, pois a criança tem a necessidade de ser reconhecida como um ser real que precisa de um outro ser humano para se desenvolver.

Quando se fala em ambiente suficientemente bom, acolhedor e/ou facilitador, está se querendo dizer um ambiente que não seja hostil e que permita que as potencialidades do lactente possam se desenvolver de uma forma espontânea, criativa e, portanto, com saúde. O papel do pai é muito importante, principalmente para dar sustentação para essa mãe poder cuidar do filho.

Para que haja uma organização do “eu sou”, é necessário que exista um meio protetor, dado através desse cuidado ofertado pela mãe, pois, no início, a criança não se reconhece de forma integrada, necessita do olhar da mãe para se enxergar como um todo. Somente assim é que, depois, passa a poder se reconhecer separada da mãe e a perceber que não são a mesma pessoa, que são diferentes.

Apesar de ser a mãe quem prepara o ambiente para levar o bebê a vê-lo como dele, é também ela a pessoa que deve, aos poucos, fazer com que isso falhe, mas não além do que ele possa suportar, para se frustrar e viver a realidade.

É também papel da mãe ajudar a criança a se organizar até ela conseguir fazer certas coisas sozinha, descobrir aos poucos a própria vida e as coisas como reais. Para isso, é preciso dar ao bebê tempo para explorar o mundo e, assim, ir desenvolvendo suas potencialidades.

A criança que desenvolve a capacidade de ficar sozinha experimenta o gozo de brincar por ela própria, o que irá prepará-la para que, quando adulta, tenha a capacidade de ter prazer com suas próprias coisas e conquistas. Tal aspecto tem a ver com o que Winnicott chama de ter um verdadeiro self.

O verdadeiro self dá ao indivíduo o sentimento de pertinência, a segurança de pertencer à família, de que tem um lugar e autonomia para fazer escolhas, além de ter a ver com a capacidade de brincar, de ser espontâneo, de desejar e de saber que é desejado. Do contrário, quando o indivíduo não se sente desejado, acaba se tornando refém da busca pelo desejo de alguém e começa a se prejudicar. Quando ele começa a se sentir desejado e cuidado, aí é possível criar uma autonomia para poder se cuidar, desejar e saber seguir com a própria vida. Então, quando os pais demonstram esse desejo, nasce a autoestima e nasce o self verdadeiro (CAPELATTO).

Para cuidar é preciso dedicar tempo, investir afeto e, algumas vezes, abrir mão de alguns momentos e prazeres, isto é, junto da alegria que ter um filho pode gerar, também virão perdas e alguns lutos terão que ser vivenciados.

CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA
Rua Pará, 1500 – Sala 202
(43) 3336-0243 – Londrina PR

psicologia, desejo, cuidado, bebês, maternidade, paternidade
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