Revista Sucesso

Atualizado em 09/10/2017

Gastronomia

Mulheres e café

Elas estão investindo tempo e muito aprendizado para produzirem cafés que vão muito além de uma bebida preta e quente.

Da redação

Em um setor totalmente dominado por homens, as mulheres passaram a ser como a brisa no deserto. Elas são o refrigério para uma cafeicultura até então meio  sem alma, só preocupada com o desempenho de produção. Falar da cafeicultura no Paraná hoje em dia é falar sobre as mulheres que vêm dando baile nos maridos produzindo com qualidade e requinte, digo requinte, pois, além de produzirem bem, colhem seletivamente, passam o café por processos fermentativos que agregam em sabores totalmente diferenciados. Neste aspecto, são vários os manejos: preparo do solo, mudas, medição de incidência solar, volume de chuvas ou irrigação, altitude, colheita, seleção e estilo de fermentação ou seca, até chegar à armazenagem e venda. Elas estão investindo tempo e muito aprendizado para produzirem cafés que vão muito além de uma bebida preta e quente.

Com lotes e microlotes sendo vendidos por leilão ou para caçadores de cafés genuínos, estão alavancando um setor que aqui no Paraná estava obsoleto e marginalizado por uma cafeicultura desinteressante e voltada para o mercado de cafés bebidas Duras, Rio e Riadas, e aquele mercado que compra fundo de peneira ou café de varrição. Existe mercado para tudo neste mundo, mas é preciso sair desta marginalidade do consumo, é preciso valorizar o todo; ao dizer todo, falo em uma cadeia que deve ser sinérgica e dialogar com todas as áreas que envolvam desde a produção do café até a xicara do cliente.

Essas mulheres estão fazendo uma nova cafeicultura, estão surfando em uma onda mundial que dá preferência a produtos de qualidade e de aspectos singulares. Nossa terra vermelha e nossa posição geográfica conferem ao norte pioneiro qualidades genuínas para a produção dos melhores cafés, no mundo. Então pagar 4 ou 5 reais em uma xícara de 30ml de espresso pode parecer caro, mas, antes de fazer uma análise simplória, pense também de forma macro, tente buscar informações sobre o que você está bebendo. Quanto mais informações tivermos sobre o que consumimos, mais iremos valorizar e respeitar o trabalho das mulheres do café, por exemplo. Imagine  que seu paladar seja totalmente moldável e que durante a sua vida inteira você nunca tivesse consumido açúcar e, então, façamos um combinado: ao pedir um espresso, analise algumas características antes de colocar açúcar. Primeiro pergunte a origem do café, isto já irá dizer muito sobre o produto e sobre quem está  vendendo o café para você; segundo, observe o creme que fica sobre o seu café, quanto mais brilhante e espesso melhor extraído foi. Antes de beber, mexa bem com a colher e sinta o aroma -  geralmente será doce, como o aroma de uma fruta madura ou de uma noz fresca -, e beba lentamente como se o seu espresso fosse um vinho raro e, somente depois,  pense no açúcar. Possivelmente se você estiver em uma cafeteria com C maiúsculo estará bebendo um café bebiba Mole, denominação que confere toda a frutose  que você vai necessitar no seu néctar dos deuses. Falei do espresso para remeter ao trabalho  dessas mulheres que ficam de sol a sol e até passam muitas noites sem dormir tudo para garantir o espresso perfeito para você! Valorize o esforço e a dedicação dessas empreendedoras cafeicultoras do nosso Paraná, vamos ajudá-las com o nosso consumo neste novo despertar do paladar. Sejam bem-vindos a conhecer o trabalho delas pelo instagram @mulheresdocafepr.

Bons cafés paranaenses, beba café de verdade!           

Foto: Marcos Sá Correia

ANDRÉIA CRISTINA LUCHETTI
Barista e proprietária do Ânima Café Artesanal
Facebook: @animacafeartesanal
Instagram: @animacaffe

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