Revista Sucesso

Atualizado em 05/08/2016

Profissionais de destaque

Ginecologista comenta efeitos da terapia hormonal e explica quando ela é indicada

Especial Mulheres de Sucesso: Lilian Vaccari

Da redação

Entre a quarta e a quinta década de vida, em média, as mulheres experimentam uma queda natural da atividade ovariana, que culmina com a chegada da menopausa. Para muitas, essa fase da vida vem acompanhada de sintomas desagradáveis, que, não raro, comprometem a qualidade de vida e a produtividade, seja no campo profissional, familiar ou emocional. A ginecologista e obstetra Lilian Vaccari explica que esses sintomas estão ligados à queda da produção pelos ovários, dos hormônios estrogênio e testosterona, que, segundo a médica, desempenham papel essencial em todas as fases da vida da mulher. Lilian é especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela UEL e em Videolaparoscopia pela Santa Casa de São Paulo e foi docente no curso de medicina da UEL por 18 anos.

“O estrogênio é o hormônio responsável pelo desenvolvimento de características corporais femininas na puberdade, além de ajudar na formação da massa óssea; também age nos vasos sanguíneos (que irrigam os tecidos com oxigênio) ajudando na sua maleabilidade; atua no metabolismo do colesterol, ajudando a manter altas as taxas de HDL (colesterol bom) que funciona como um protetor contra a produção de placas de gordura nos vasos sanguíneos; ajuda na estabilidade do humor e mantem o tecido vaginal com umidade e elasticidade adequadas”. Sua falta, segundo a ginecologista, é a responsável por sintomas como irritabilidade, labilidade emocional, aumento de gordura corpórea, alteração do sono, fogacho (ondas de calor), ressecamento vaginal ,também pode contribuir para perda da tonicidade da pele e diminuição da massa óssea, entre outros. Já a falta de testosterona, que também é um hormônio produzido pelas mulheres, provoca diminuição de energia e da libido, além de perda de massa muscular.

Terapia Hormonal - Felizmente a medicina atual já conta com inúmeras possibilidades de tratamentos seguros que ajudam a amenizar os efeitos deste período de desequilíbrio hormonal que é o climatério. Existem várias terapias para este período, visando o bem estar da mulher, como por exemplo a Terapia Hormonal (TH). “Antes de iniciar o tratamento, a paciente deve passar por uma avaliação geral, com exames de sangue (por exemplo avaliação dos colesteróis/triglicerídeos, glicemia, função do fígado e dos rins) e exames de imagem (por exemplo mamografia, ultrassonografias), que ajudam a determinar se ela está apta para receber a TH”, afirma Lilian. Com isso, acrescenta a médica, procura-se eliminar a possibilidade de doenças ou condições que contraindiquem o tratamento ou que precisam ser estabilizadas primeiro. “A TH está contra- indicada, por exemplo, para pacientes que apresentaram câncer de mama ou que tiveram fenômenos vasculares, como infarto, AVC, trombose e outras doenças circulatórias. No caso de pacientes com varizes, obesidade, diabetes e hipertensão leves, deve-se avaliar caso a caso, pois há contraindicações relativas”, aponta.

A ginecologista explica que a TH consiste na suplementação dos hormônios que pararam de ser produzido pelos ovários, sendo conduzida de forma individualizada para cada paciente. A reposição do estrógeno (estradiol), segundo Lilian, pode ser feita em forma de comprimido, gel para uso transdérmico, adesivos transdérmicos ou até mesmo por implante subcutâneo, que dura de seis meses a um ano. “Diferentemente do anticoncepcional, o estrógeno de reposição é bioidêntico ao produzido pelo organismo”, pontua. A terapia com estrógeno na mulher que tem útero, deve ser associada com um progestágeno, para a proteção do endométrio A testosterona, por sua vez, pode ser ministrada em forma de gel, injeção ou implante subcutâneo, sempre dando preferência para o hormônio bioidêntico. “Não existe, comercialmente no Brasil, testosterona produzida para mulheres. Existem produtos produzidos para o público masculino cujas dosagens são adaptadas para mulheres, excetos os implantes subcutâneos que foram idealizados para o público feminino, mas que tem comercialização restrita. A testosterona é aplicada em quantidade que mimetize a produção fisiológica, melhorando a energia e a libido, tem-se que tomar cuidado pois pode causar aumento da oleosidade da pele e acne”. Por isso, segundo Lilian, é importante avaliar caso a caso, trabalhando as nuances do tratamento para obter as respostas desejadas.

Segundo a ginecologista, há também quem opte pela TH como forma de prevenir o envelhecimento tecidual, uma vez que a alteração hormonal estabelecida após o término da função ovariana , provoca perda de qualidade de irrigação sanguínea e oxigenação dos tecidos, sendo um dos fatores de envelhecimento. Lilian lembra ainda que a melhor maneira de garantir um período climatérico com qualidade de vida é investir em hábitos saudáveis, como a prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada e boa noite de sono. “Esses cuidados devem ser prioridade ao longo de toda a vida, não somente quando a menopausa chega”, conclui.

 

Lilian Vaccari
ginecologista e obstetra, CRM PR 13297

Lilian Vaccari, ginecologista, obstetria
Mais lidas
  1. Soluções inteligentes e funcionalidade
  2. Educação Infantil: um mundo de descobertas
  3. Cuidar das articulações garante vitalidade
  4. Ouvir bem é vida
  5. Disfunção eréctil: será que vou ter?
Leia também
  1. Disforia de Gênero não é doença
  2. Doença tireoideana e gravidez
  3. Semijoia, um presente inesquecível
  4. Autocoaching estimula o profissional e o inspira...
  5. Hoje em Londrina: Palestra com Timothy Gallwey