Revista Sucesso

Atualizado em 30/08/2016

Tratamentos

EMDR: terapia revoluciona o tratamento de traumas

Psicólogas explicam como o método atua no reprocessamento de experiências traumáticas

Da redação

Um método desenvolvido no final da década de 1980 nos Estados Unidos, pela psicóloga PhD Francine Shapiro, tem demonstrado grande eficácia no tratamento de sequelas provocadas por transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), além de outras doenças psicossomáticas. Terapia EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing, na sigla em inglês) – ou Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular.
Valéria de Siqueira e Elciane Prates são EMDRistas Certificadas pelo EMDR Institute, EMDRIA e EMDR Ibero-América. Segundo a psicóloga Valéria, a aplicação da terapia é feita em algumas etapas e, basicamente, composta de estimulações sensoriais bilaterais que promovem o fluxo de energia entre diferentes regiões cerebrais de ambos os hemisférios, integrando as informações e transformando-as. “Uma etapa importante é o levantamento da história clínica do paciente, das memórias de determinado evento adverso que estão por trás dos sintomas e das circunstâncias atuais que disparam o desconforto psicológico”, complementa Elciane. Durante o processo, o paciente é orientado a acessar uma memória de cada vez e mantê-la em mente por pouco tempo enquanto é submetido a uma estimulação de atenção dual bilateral. “Ele se mantém consciente durante todo o processo. O estímulo cortical alternado pode ser ocular, sonoro ou tátil.”


Reprocessamento

Mais importante do que as reações de dessensibilização, segundo as psicólogas, é o reprocessamento das experiências traumáticas. “O reprocessamento significa a atribuição de novos sentidos, mais positivos, a experiências traumáticas. Esse processo permite a transmutação de crenças negativas (como: ‘não sou capaz’, ‘a culpa pelo que houve foi minha’) em autoavaliações positivas (como: ‘fiz o melhor que pude’, ‘sou uma pessoa confiável’)”, explicam. As profissionais esclarecem que nossos sintomas e dificuldades têm componentes de várias regiões do cérebro. “Podemos não saber exatamente qual é o trauma, mas o sistema de processamento de informação e adaptação tem a capacidade de rastrear o problema. Muitas vezes o paciente está cansado de falar sobre o que aconteceu ou tem vergonha. A fala necessária no EMDR é reduzida, o importante é processar. O paciente não apenas pensa a melhora, ele a sente”, aponta Valéria. Segundo Elciane, o EMDR é um processo fisiológico que caminha na direção da coerência e da harmonia interna do corpo e entre o corpo e o meio ambiente. “Pessoas de todas as idades podem usufruir dos benefícios do método, tanto para a terapêutica como para a otimização de desempenho, inclusive indivíduos com deficiência auditiva ou visual, pois a estimulação bilateral pode ser visual, auditiva ou tátil”, acrescenta.

Aplicações

A Organização Mundial de Saúde (OMS) – seguindo os passos da Associação Psiquiátrica Americana – passou a recomendar o EMDR como um dos principais métodos da atualidade para o tratamento de situações traumáticas, para crianças, adolescentes e adultos. Novas aplicações do método têm se voltado para o tratamento de doenças psicossomáticas, reduzindo o desconforto subjetivo e fortalecendo as cognições adaptativas relacionadas ao evento traumático. Atualmente, a aplicação do EMDR é ampla, sendo algumas possibilidades: baixa autoestima, dificuldades de aprendizagem, pânico, depressão, fibromialgia, problemas relacionados ao desempenho sexual; excesso de ansiedade, estresse pós-traumático; memórias perturbadoras; pesadelos recorrentes; perda de entes queridos; vítimas de catástrofes naturais, acidentes em geral e de violência verbal, corporal e sexual.
As profissionais ressaltam que apenas psicólogos e psiquiatras devidamente capacitados pelo EMDR Institute podem aplicar o método.



Valéria de Siqueira e Elciane Prates

Psicam – Clínica de Psicologia Integrada com Abordagem Múltipla
Avenida Higienópolis, 70, sala 73, 

Londrina PR | (43) 3028-0805

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