Revista Sucesso

Atualizado em 11/11/2016

Tratamentos

Doença renal crônica: o ‘assassino invisível’

Nefrologista Anuar Martni, do Instituto do Rim, fala da importância do diagnóstico precoce

Da redação

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes em diálise cresceu mais de 100% nos últimos dez anos no Brasil, chegando a 110 mil pacientes e configurando um problema grave de saúde pública, já que o número de centros de diálise não aumentou na mesma proporção. Esse crescimento, segundo o nefrologista Anuar Martni, se deve à maior incidência de doenças que podem causar danos aos rins, como hipertensão arterial, diabetes e obesidade. “Problemas que, por sua vez, estão relacionados ao sedentarismo e à má qualidade da alimentação.” Anuar é graduado em medicina pela UFPR, com residência em nefrologia pela mesma instituição. Tem pós-graduação em nefrologia, com foco em diálise peritoneal, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); mestrado pela mesma universidade; e fellowship em nefrologia pela Universidade de McGill, no Canadá. Lecionou durante 36 anos no curso de graduação em medicina da UEL e é um dos fundadores do Instituto do Rim.

Doença renal crônica

Caracterizada pela perda lenta e gradual das funções renais, a doença renal crônica pode levar à paralisação total dos rins, se não diagnosticada e tratada. O nefrologista explica que existem cinco estágios da doença, conforme a função renal, que pode ser de mais de 90%, nos estágios iniciais; até menor que 15%, quando já é indicado o tratamento dialítico. Entre as principais causas do problema, o médico destaca as doenças próprias do rim (nefrites); cálculo renal, má formação congênita (quando a pessoa nasce com o problema, que se manifesta em idade mais avançada); e as doenças adquiridas, como hipertensão mal controlada, diabetes e obesidade, que configuram as causas mais frequentes. “A hipertensão afeta 30% da população do mundo, sendo que, desse número, metade não sabe que é hipertenso e a outra metade não toma remédio regularmente”, lamenta. O uso indiscriminado de alguns medicamentos, como antibióticos nefrotóxicos, também pode ser prejudicial aos rins, segundo o médico.

“Na década de 1970, a doença renal crônica era conhecida como o ‘assassino invisível’, por se tratar de uma doença quase que assintomática e, por isso, muito perigosa. Quando os sintomas se manifestam, é porque a doença já afetou os três órgãos alvo: cérebro, coração e, por fim, rins”, afirma Anuar. Apesar da ausência de sintomas, alguns sinais podem indicar a insuficiência renal, como perturbação visual, tontura, doenças cardíacas, a própria hipertensão, palidez cutânea (deficiência de glóbulos vermelhos); inversão do ritmo urinário (nocturia – pessoa passa a urinar mais durante a noite); e algumas alterações digestivas.

Prevenção

O cuidado com os rins, segundo o especialista, começa com a restrição de sal na alimentação. “A OMS [Organização Mundial da Saúde] recomenda o consumo de 5 gramas de sal por dia. No Brasil, a ingesta de sal é muito maior. Estamos no caminho errado”, alerta. Além do controle de hipertensão e diabetes, a prática de exercícios físicos e não abuso de medicamentos são medidas básicas de prevenção. Para garantir a detecção precoce da doença, o médico recomenda a avaliação periódica dos rins, que pode ser feita através de exames simples, pelo menos uma vez por ano. “Se diagnosticada cedo, as chances de estabilizar a doença são maiores. Procuramos retardá-la o máximo possível, para evitar que o paciente vá para diálise.”

Tratamento

O tratamento dialítico, segundo o médico, é indicado para pacientes em estágio avançado da doença. Tanto a hemodiálise quanto a diálise peritoneal promovem a depuração do sangue; mas enquanto no primeiro caso os pacientes precisam se locomover até o centro de diálise; no segundo, as sessões podem ser realizadas em casa, com equipamento portátil. “O objetivo da diálise peritoneal é dar independência à pessoa”, esclarece Anuar. Para o especialista, a diálise pode oferecer maior perspectiva de vida ao paciente. “Há casos de pacientes que viveram mais de 30 anos na hemodiálise – uma sobrevida fora do comum – e outros em que é possível estender a vida por 10 ou 15 anos”. Atualmente, segundo o especialista, o índice de mortalidade de pacientes em diálise no Brasil é de 15%, o mesmo dos EUA. O transplante de rins, para pacientes que apresentam condições de realizá-lo, é o tratamento definitivo para a doença renal, mas a falta de informação ainda gera muita resistência à doação de órgãos, segundo o médico.

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