Revista Sucesso

Atualizado em 29/08/2017

Saúde

Dia de conscientização sobre Esclerose Múltipla traz atenção para as dificuldades provocadas pela doença

Uma das principais manifestações da enfermidade que afeta cerca de 35 mil brasileiros¹ é a espasticidade, condição que provoca dores e dificuldades motoras

Da redação

Superar as incapacidades físicas e manter a independência são alguns dos grandes desafios enfrentados diariamente pelos pacientes de esclerose múltipla (EM). O dia nacional de conscientização da doença, celebrado em 30 de agosto, traz à tona o impacto e os obstáculos que a progressão da EM pode acarretar. "É um dia para fazer as pessoas ouvirem sobre a esclerose múltipla, da sua existência, de suas características e dos problemas e necessidades do indivíduo", afirma a Dra. Liliana Russo, neurologista da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. “Só dessa forma conseguiremos fazer com que a sociedade entenda as dificuldades que os pacientes passam”, explica.

 Trata-se de uma doença neurodegenerativa, ocasionada pela inflamação e destruição da mielina, camada protetora da fibra nervosa, que tem por função acelerar a trajetória do estímulo nervoso. No momento inflamatório, há a instalação do sintoma, denominado surto e com sua remissão a cicatriz e a possível perda funcional da área acometida. A EM surge, em sua maioria, em pacientes ainda jovens, no momento em que ingressam no mercado de trabalho e se preparam para a independência, entre os 20 e 40 anos. Nessa situação, manifestações que prejudiquem a mobilidade, como a perda de força muscular e a espasticidade, podem adiar os planos e impactar negativamente a qualidade de vida dessas pessoas.

 De acordo com Dr. Denis Bichuetti, Professor Adjunto do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), aproximadamente de 30 a 40% dos pacientes de EM apresenta ou apresentará a espasticidade com consequente redução da mobilidade. Na literatura médica internacional, porém, pode-se encontrar relatos de manifestação em até 84% dos pacientes. “A espasticidade é como se fosse uma câimbra constante em um dos membros, geralmente nos membros inferiores. É uma contratura permanente que causa dor, enrijecimento muscular e pode provocar grandes dificuldades para andar, por exemplo”, afirma o neurologista.

 As dificuldades ocasionadas pela espasticidade, como comprometimento da marcha (caminhada) com consequente redução de mobilidade e capacidade de locomoção, têm um grande impacto na manutenção de uma vida independente. Estudos apontam que cerca de um terço das pessoas com espasticidade relacionada à esclerose múltipla são obrigadas a alterar ou até mesmo reduzir as atividades diárias devido à esta manifestação.

 E como se não bastassem todas as limitações provocadas pela doença, as metrópoles brasileiras também impõem dificuldades. “Em uma cidade como São Paulo, ou em tantas outras grandes cidades do Brasil, onde as ruas e os transportes públicos não são adaptados para pessoas com dificuldades de locomoção, a espasticidade pode se tornar um problema ainda maior”, pontua Bichuetti.

  Tratamento

 O tratamento multidisciplinar, que inclui exercícios físicos, a fisioterapia e o acompanhamento de um médico neurologista, são as chaves para o tratamento da espasticidade.  “Espasticidade é sinal de doença avançada e que necessita de uma intervenção mais urgente. Fora isso, mais da metade dos pacientes que recebo com espasticidade se adaptam bem à fisioterapia e a prática de exercícios físicos, conseguindo diminuir bem o impacto da enfermidade em sua vida”, esclarece Bichuetti. Porém, existe uma minoria, os chamados refratários, que necessitam de intervenções medicamentosas como a aplicação de toxina botulínica ou outros fármacos.

 Além disso, aspectos ambientais, como o planejamento das cidades para pessoas que possuem dificuldades motoras, podem auxiliar nesta recuperação.  “Pensarmos em cidades mais acessíveis não só aos pacientes de EM, mas também a todos as pessoas que enfrentam alguma dificuldade de locomoção ajudará e muito no tratamento não só físico, como também no psicológico deste indivíduo”, ressalta o especialista.  

   Sobre a Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurodegenerativa, em que ocorre a inflamação e destruição da mielina, camada protetora das células nervosas. A doença causa uma série de sintomas e complicações, entre elas a espasticidade, que se caracteriza pelo aumento do tônus da musculatura inervada pelos neurônios acometidos e pelo aumento do reflexo de “estiramento”. O aumento pode chegar à rigidez total, às vezes acompanhada por espasmos, dificuldades de mobilidade, alterações do padrão de sono e dor. Os pacientes podem experimentar dor incapacitante e uma grande variedade de condições debilitantes e espasmos musculares. No Brasil, estima-se que cerca de 35 mil pessoas tenham EM.


Referências

1- Disponível em http://abem.org.br/esclerose/o-que-e-esclerose-multipla/. Acesso em 01/08/2017.

2- Rizzo MA, et al. Prevalence and treatment of spasticity reported by multiple sclerosis patients. Multiple Sclerosis 2004;10:589/595

3- Krupp LB, Rizvi SA. Symptomatic therapy for underrecognized manifestations of multiple sclerosis. Neurology. 2002;58(8 Suppl 4):S32-9.

4- Barnes MP, Kent RM, Semlyen JK, McMullen KM. Spasticity in Multiple Sclerosis. Neurorehabil Neural Repair. 2003;17(1):66-70.

5- D. Bensmail, P. Vermersch. Épidémiologie et évaluation clinique de la spasticité dans la sclérose en plaques - Revue Neurologique, Volume 168, Issue null, Pages S45-S50

Fonte: Redação e Healthcare

Esclerose Múltipla, Dia de conscientização sobre Esclerose Multipla, Editora Sucesso, Revista Sucesso, Revista Bem-estar
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