Revista Sucesso

Atualizado em 05/04/2018

Estilo de vida

Das letras às telas

Entrevista com o cineasta londrinense Rodrigo Grota, premiado internacionalmente.

Da redação

Renata Cabrera/ Kinopus - Rodrigo Grota: 'Meu primeiro sonho foi ser detetive, até que aos 15 anos descobri que na verdade queria ser cineasta'

Rodrigo Grota: "Meu primeiro sonho foi ser detetive, até que aos 15 anos descobri que na verdade queria ser cineasta". Foto: Renata Cabrera/ Kinopus

Rodrigo  Grota, nascido no ano de 1979 em Marília, veio para Londrina em 1997  para estudar Jornalismo na UEL (Universidade Estadual de Londrina). Seu  primeiro set foi na sua cidade natal, em julho de 1996, aos 16 anos,  como assistente de direção no curta-metragem "Pé de Veludo", de Edu  Reginato. Entre as principais conquistas no Cinema estão 13 premiações  no Festival de Gramado (pelos curtas que integram a Trilogia do  Esquecimento), o Don Quixote Award (para o curta Haruo Ohara), além de  premiações em festivais nos EUA, Holanda e México para o longa "Leste  Oeste." Entre os principais trabalhos infantis realizados estão as  séries "Brincando com a Ciência", como roteirista, e "Super Família",  como diretor.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Brincar. As minhas melhores lembranças são dos momentos em  que podíamos brincar sem nenhum compromisso: na quadra, no parquinho, no  salão de jogos. Estudei em uma escola tradicional da minha cidade, um  colégio coordenado por freiras. Elas eram bem rigorosas e todos os dias  tínhamos de rezar, cantar o hino, participar de cerimônias religiosas.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

Foi uma noite em 1989: os meus pais eram separados desde  1981, mas eu não podia contar isso na escola, pois era um colégio de  freiras e elas não aceitavam o divórcio. Meus pais nunca compareciam às  reuniões com os professores - meu pai tinha ido embora e a minha mãe  estava sempre trabalhando. Até que um dia, na 4ª série, houve uma  espécie de formatura e meus pais compareceram. Para mim foi muito  importante na época, pois todo mundo achava que eu não tinha pai, e eu  mesmo achava que meu pai não se lembrava de mim. Foi apenas uma noite,  mas por pouco tempo senti que não estava sozinho.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Eu sempre gostei mais de Português. Me lembro de na 2º  série, aos 8 anos, ter criado uma fábula sobre uma formiga e sua família  trabalhando no inverno. A matéria que eu gostava menos era Educação  Física - eu não era bom de cambalhotas nem de acrobacias. A partir da 7ª  série comecei a jogar basquete e daí passei a gostar um pouco mais.

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Eu não me lembro de levar algo de casa. Na escola, o que eu mais gostava era comer na cantina: salgado e refrigerante.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?

Quando era mais novo, eu quase não falava na sala de aula.  Mas a partir dos 10 anos comecei a sentar mais no fundo, e  constantemente era expulso por bagunça ou por conversar demais.

Já gostava de escrever quando criança?

Gostava muito. Eu me lembro de ler muito gibi e ficar  desenhando e escrevendo histórias parecidas com aquilo que eu tinha  lido. Meus pais liam bastante também e sempre me estimularam com  revistas, livros e jornais. Minha mãe ficava me dizendo: podem roubar  tudo de uma pessoa, menos a inteligência dela. No escritório de  advocacia do meu pai, havia uma máquina de escrever: quando eu ia  visitá-lo gostava de ficar lá criando histórias e lendo esses textos  para as pessoas que estivessem por ali.

Quais eram os filmes e programas preferidos nessa época?

Eu via um pouco de tudo, pois só tínhamos uma TV na sala e a  TV aberta era composta por cinco ou seis canais. Eu gostava de ver tudo  quanto é tipo de desenho, com preferência para o Pica-Pau e a Pantera  Cor de Rosa. Víamos também muita coisa na TV Cultura. Eu adorava ver  coisas que eu não entendia.

Quando criança, imaginava que teria essa profissão?

Não. Meu primeiro sonho foi ser detetive. Depois quis ter  uma banda de rock, ser jogador de basquete, escritor, até que aos 15  anos descobri que na verdade queria ser cineasta. Não sei explicar  exatamente, mas talvez eu tenha escolhido o cinema pois eu gostava de  muitas coisas ao mesmo tempo, e fazer um filme me deixaria em contato  com tudo isso de uma forma criativa e intensa.

Fonte: Folha de Londrina

Rodrigo Grota, Cinema, Cineasta, Editora Sucesso, Revista Sucesso
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