Revista Sucesso

Atualizado em 15/02/2017

Tratamentos

Corrimentos e Infecções Ginecológicas

Toda mulher apresenta uma secreção vaginal que varia de acordo com o ciclo menstrual, não tem nenhum odor, é transparente, não causa prurido ou ardor, sendo considerada normal. 

Da redação


Toda mulher apresenta uma secreção vaginal que varia de acordo com o ciclo menstrual, não tem nenhum odor, é transparente, não causa prurido ou ardor, sendo considerada normal. Quando essa secreção perde as características mencionadas e passa a ter odor desagradável, prurido, ardor ou cor diferente (esverdeada, amarelada ou outra) devemos pensar que se trata de um corrimento.

“Os corrimentos vaginais são causados por microorganismos que podem ser bactérias, fungos ou protozoários. Cada um deles costuma ter características próprias, mas também podem se confundir. Daí, a necessidade de um exame ginecológico completo e alguns exames auxiliares para fechar o diagnóstico” - da Dra. Flávia Fairbanks, professora e ginecologista da Clínica FemCare.

De acordo com Iara Linhares, especialista em vaginose do serviço de ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo e pesquisadora da Universidade de Cornell, em Nova York (EUA), os preservativos costumam estar na origem de grande parte dos casos de corrimentos crônicos. O látex das camisinhas pode provocar uma reação alérgica na vagina e desequilibrar o seu pH. O uso de produtos de higiene íntima (duchas vaginais) são outro agente irritante importante. As duchas vaginais destroem a flora benéfica de lactobacilos de Doderlein, que protegem a vagina de bactérias invasivas.

O uso de cremes vaginais sem acompanhamento médico é o outro fator potencial de corrimentos recorrentes. A maioria dos produtos usa o propileno glicol como "veículo" para incorporar o medicamento e muitas mulheres desenvolvem alergia a esta substância química. Se elas estão em tratamento médico, o ginecologista pode observar a reação, observa Iara Linhares. Existe até um medidor químico para isso, o teste Caugranulin B, que o médico deve usar para confirmar a alergia e corrigir o tratamento. "Mas é muito comum ver mulheres utilizando o mesmo creme que seu ginecologista receitou da última vez", diz a médica. "E aí se instala um círculo vicioso."

FATORES DE RISCO

A atividade sexual com múltiplos parceiros, sem o uso de preservativo, é fator de risco de infecção vaginal, especificamente de vaginose, a infecção que produz o odor que lembra o cheiro de peixe. O corrimento de odor fétido aparece em geral quando a mulher mantém relação sexual, lembra Linhares. Sabe-se que o PH demasiado alcalino do sêmen, equivalente a 8, eleva o PH vaginal por várias horas depois de uma relação sexual, dando chance à outras bactérias que compõem a flora da vagina de proliferar. Quando o sêmen é familiar, a flora vaginal acaba se adaptando `a tal alteração momentânea de PH. Mas uma mulher que não tem um parceiro fixo e não usa preservativo fica exposta a sêmen de tipos variados e corre mais risco de ter a vagina permanentemente alcalina. Pesquisadores investigam ainda as causas de infecções vaginais por problemas imunológicos como a deficiência auto-imune, que sujeita a mulher a tornar-se hospedeira de agentes infecciosos, acrescenta Iara Linhares. "Estamos tentando saber, em última instância, como a genética interfere no sistema de defesa imunológico das mulheres".

INFECÇÕES VAGINAIS

São seis os tipos de infecções vaginais que produzem corrimento. A vaginose, a candidíase e a tricomoníase, cujo produto infeccioso é o corrimento visível, que a mulher percebe, e a clamídia, o mioplasma e a neisseria, ou gonorréia, que produz corrimento junto ao cérvix, a entrada do útero, não perceptível pela mulher. A redução do nível de lactobacilos na vagina e a conseqüente alteração do PH vaginal está na origem de todas elas. Entre os fatores que desequilibram o PH, além dos já mencionados, também são considerados o tratamento com antibióticos, que ao mesmo tempo que mata as bactérias invasoras pode diminuir a quantidade de lactobacilos na flora. Situações de estresse e de baixa da resistência do organismo, dependendo do impacto, causam o mesmo efeito e podem produzir infecções. "Algumas mulheres nascem com uma infeliz predisposição a ter desequilíbrios da flora vaginal, assim como certas mulheres são mais predispostas `a acne", lembra a norte-americana Natalie Angier, autora do livro Mulher, Uma Geografia Íntima (Editora Rocco).

COMO EVITAR

A visita regular ao ginecologista, uma vez por ano no mínimo, é a melhor forma de prevenção do corrimento. O médico tem condições de observar alterações no PH e meios de diagnosticar o agente infeccioso, muitas vezes no próprio consultório, esclarece a ginecologista Iara Linhares. Não faltam ferramentas para isso, como o teste que mede o PH, uma fitinha impregnada com reagentes químicos, ou o teste de Whiff para vaginose, que mistura uma gota de amostra do corrimento em uma solução de hidróxido de potássio, um meio alcalino e detecta o cheio característico da infecção. O exame da secreção em laboratório e a consulta propriamente, que levanta a história da paciente, são outros recursos que os médicos utilizam para definir o melhor tratamento de uma infecção instalada.
Manter uma alimentação saudável e cultivar bons hábitos de vida como a prática de exercícios físicos e até de algum tipo de meditação ou relaxamento também é recomendado para impedir que o corrimento volte. Evitar alimentos apimentados ou muito condimentados, álcool e cigarro em excesso e produtos enlatados ou industrializados, que contém conservantes químicos faz parte do tratamento. Além de observar a reação alérgica a determinas alimentos como o leite e seus derivados. "Tenho visto com freqüência mulheres com corrimento provocado por alergia `a proteína do leite”, diz Iara Linhares.

PREVENÇÃO ANTES DE ENGRAVIDAR

Toda mulher que planeja engravidar deve fazer exames para rastreamento de infecções vaginais e tratá-las. Elas representam risco de aborto, de parto prematuro ou mesmo de desenvolvimento de uma infecção séria após o parto e, em estágio avançado, podem levar a esterilidade. A infecção vaginal também tem grande potencial de acarretar problemas de formação no feto.

A ginecologista Iara Linhares adverte para as conseqüências graves da vaginose, uma das infecções mais comuns. A vaginose bacteriana se caracteriza pela proliferação na flora vaginal de bactérias anaeróbicas - que se desenvolvem na ausência do oxigênio. São verdadeiros micróbios que produzem compostos químicos pútridos como a trimetilamina - responsável pelo odor de peixe estragado. Em estado avançado, a infecção chega a destruir completamente a população de lactobacilos da vagina. E sem tratamento pode se transformar em outras doenças como endometrite (infecção do endométrio), doença inflamatória pélvica, salpingite (infecção das trompas), além de aumentar a predisposição para o desenvolvimento de câncer genital e dar origem à dor pélvica crônica, outras das principais queixas das mulheres que freqüentam os consultórios dos ginecologistas.

 

DIAGNÓSTICO NORMAL VAGINOSE TRICHOMONAS CANDIDA

PH VAGINAL

3.8 - 4.2

Mais de 4.5 (alcalino)

Mais de 4.5 (alcalino)

Menos de 4.5 (ácido)

APARÊNCIA DOS CORRIMENTOS

branca, transparente

branca, transparente, leite, cinza

amarelo,verde, espumado

branca, coalhada

ODOR

ausente

peixe

peixe

ausente

Um dos componentes da flora vaginal são os bacilos de Doderlein, responsáveis pela transformação do glicogênio em ácido lático que mantém a acidez vaginal em torno de 3,8 e 4,2, não permitindo o desenvolvimento de microorganismos patogênicos.

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