Revista Sucesso

Atualizado em 12/07/2017

Para Construir

Construção civil: Brasil em 4º lugar do mundo

Construção civil brasileira com padrão de qualidade internacional. Engenheira Maria Clarice R.Moreno conta como este feito foi alcançado 

Da redação

A construção civil no Brasil sempre apresentou-se como algo muito artesanal, com soluções caseiras, desperdícios e o famoso 30% de perda em cada obra. Isso se acentuou principalmente pela década de 80, chamada “década perdida”. Muitos engenheiros que se formaram nestes anos acabaram indo para outras áreas, muitos como CEOs das grandes empresas, pela sua capacidade de raciocínio desenvolvida e treinamento em resolver problemas. Quem perdeu com isso foi o país.

Ouve-se falar de enchentes nas cidades, deslizamentos, tudo isso porque estes engenheiros que deveriam estar observando, analisando e projetando as cidades não foram contratados, principalmente em função dos baixos salários oferecidos.

Hoje estamos verificando uma inversão neste cenário: as empresas brasileiras estão se certificando com programas de qualidade, resultando em obras  pensadas tecnicamente, mais enxutas, com maior conforto para o usuário. Existem vários programas de projeção mundial, entre eles a certificação LEED, (Leadership in Energy and Environmental Design, na sigla em inglês). Segundo levantamento realizado pelo Green Building Council Brasil (GBC), o Brasil é o quarto país com maior número de projetos registrados e certificados.  A entidade destaca que a construção sustentável no País manteve ótimos resultados, apesar do contexto político-econômico enfrentado. O Brasil segue atrás apenas da China, Canadá e Índia.

Com o foco em Leed e construções verdes, o Brasil está priorizando o meio ambiente e a saúde e bem-estar nos ambientes construídos em uma escala holística, nos auxiliando a dar um passo importante na missão de garantir que ainda nesta geração todos possam viver, trabalhar e morar em uma edificação verde. A melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das pessoas são a melhor opção de negócio para os investidores e construtoras.

Com esta certificação busca-se o menor consumo de energias para manter a edificação, fazendo uso de energia fotovoltaica para movimentar elevadores e iluminações das áreas comuns, aquecimento solar diminuindo o consumo de energia dos apartamentos com água quente disponível 24 h, com reúso das águas pluviais e muitos outros itens que minimizam a conta de custo de utilização da moradia, diminuindo significativamente o custo de condomínio, chegando quase a zero, e aumentando o conforto térmico e acústico interno.

Isto é possível com uma integração total de engenheiros e arquitetos, não cabendo mais cada profissional contratado fazer seu projeto e entregar sem conversar adequadamente com os demais. Foi-se o tempo de aprovar um projeto (chamado projeto Legal, pois contém informações mínimas necessárias na Prefeitura) e depois, com alvará na mão, contratar-se os demais projetos. Isso é impensável em um projeto com certificação de qualidade.

O problema é que os valores pagos com projetos são maiores do que os praticados no sistema artesanal, e o custo da obra pode ficar de 4% a 6% maior, porém o ganho em manutenção, durabilidade, segurança, conforto na utilização dos espaços e diminuição do custo de condomínio compensam e muito este valor.

O maior ganho, na realidade, é que para o investidor, que possui imóveis de locação, o tempo de vacância (tempo do imóvel desocupado) é praticamente nulo, e para quem quer vender o valor de revenda é maior.

MARIA CLARICE DE O. R. MORENO
Conselheira do CEAL e do CREA-Pr
Professora da Faculdade Pitágoras
Contato: mariaclaricerabelo@hotmail.com

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Construção civil, certificação LEED, Leadership in Energy and Environmental Design, Green Building Council Brasil, GBC, Editora Sucesso, Revista Sucesso
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