Revista Sucesso

Atualizado em 11/05/2018

Saúde

Como mais do que deveria, e agora?

Conheça o Transtorno de Compulsão Alimentar

Da redação


“Não consigo me controlar! Quando vejo, já comi mais do que deveria e continuo comendo mesmo sem fome. Como tanto e de forma tão rápida que até me sinto desconfortável. Com isso, acabo ficando chateada e com muita culpa.” Provavelmente você já deve ter ouvido alguém dizer algo parecido ou, até mesmo, já falou algo assim. Essa é uma descrição de algumas características do Transtorno de Compulsão Alimentar (TAC).

O TAC é caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar com ocorrência de ao menos uma vez por semana, durante três meses. Esses episódios consistem em ingestão de uma quantidade de alimento maior do que a maioria das pessoas consumiria em um mesmo período e circunstâncias. Além disso, é necessária a sensação de falta de controle, com incapacidade de evitar ou parar de comer. Em alguns casos, os indivíduos podem desistir dos esforços para controlar a ingestão.

É necessária a presença de sofrimento importante e de pelo menos três dos seguintes aspectos: ingestão de grandes quantidades de alimento sem estar com sensação física de fome; comer muito mais rápido que o de costume; comer até se sentir desconfortavelmente cheio; comer sozinho por vergonha da quantidade que ingere; e sentir-se, em seguida, desgostoso de si mesmo, muito culpado ou depressivo.

Pode ocorrer em indivíduos de peso normal, sobrepeso ou obesos. Está mais associado ao sobrepeso e à obesidade em indivíduos que buscam tratamento. Porém, é necessário diferenciar o TCA da obesidade, pois a maioria dos indivíduos obesos não se envolve em compulsão alimentar recorrente. Ao se comparar obesos sem compulsão alimentar com indivíduos com o transtorno, verifica-se que os com TCA têm mais prejuízo funcional, perda de qualidade de vida, mais sofrimento subjetivo e maior frequência de doenças psiquiátricas. Alguns gatilhos podem estar presentes, como: estressores interpessoais, sentimentos negativos relacionados ao próprio corpo e peso, dietas muito restritivas e afeto negativo.

O transtorno associa-se a problemas funcionais para o indivíduo, incluindo prejuízo na qualidade de vida, no desempenho de papéis sociais, maior morbidade e mortalidade e maior procura a serviços de saúde. Pode estar associado também a maior risco de ganho de peso e obesidade.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com outros transtornos psiquiátricos, como a bulimia nervosa, depressão, transtorno afetivo bipolar, ansiedade e transtorno de personalidade.

O tratamento deve ser individualizado levando em conta as características de cada paciente. Além disso, deve ser realizado por equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicólogo, nutricionista, entre outros profissionais.


Dra. Fernanda Aparecida Bett Rodrigues,
psiquiatra - CRM-PR: 32349 | RQE: 23165

Transtorno, compulsão, Doutora Fernanda Aparecida Bett Rodrigues, psiquiatria, Londrina
Mais lidas
  1. Soluções inteligentes e funcionalidade
  2. Educação Infantil: um mundo de descobertas
  3. Cuidar das articulações garante vitalidade
  4. Ouvir bem é vida
  5. Disfunção eréctil: será que vou ter?
Leia também
  1. Dores crônicas têm impacto direto na saúde e...
  2. Dores nos ombros: o que pode ser?
  3. Câncer de mama: ainda um tema cercado por mitos
  4. Tatuagem: prós e contras do procedimento
  5. Depressão e ansiedade: atividades físicas são...