Revista Sucesso

Atualizado em 30/11/2016

Saúde

Comer ou não comer, eis a questão

Na contramão das dietas restritivas, nutrição comportamental busca resgatar o prazer em comer de forma equilibrada

Da redação

Alimentação saudável, na concepção da nutricionista Maria Aparecida Ferreira da Silva Bonfim, é aquela que faz com que você se sinta saciado e que promove bem-estar físico e emocional. Simples assim? Mas e a contagem de calorias? Segundo a profissional, contar calorias é, sim, importante para que saibamos se as estamos consumindo além da quantidade que estamos gastando, mas não devemos nos prender só a elas como se apenas isso fosse conferir qualidade a um alimento ou a um plano alimentar. Ela é adepta da nutrição comportamental, corrente que traz uma abordagem inovadora da nutrição com mensagens científicas consistentes que validam o prazer de comer e o equilíbrio. Com 13 anos de atuação na área, Maria Aparecida é especialista em fisiologia do exercício pela Unopar e em nutrição clínica e alimentos funcionais, pela UEL, com aprimoramentos em nutrição comportamental. Há pouco mais de um ano, ela integra a equipe multidisciplinar do Instituto Innove, que conta com profissionais de diversas áreas da saúde e educação.

Nutrição comportamental

Maria Aparecida explica que a nutrição comportamental é uma inovação que não abandona as premissas da nutrição e dietoterapia, mas acrescenta a elas ferramentas de comunicação responsáveis, inclusivas e positivas. “Mais importante do que ‘o que’ você come é ‘como’ você come, e ‘por que’ você come – as crenças, pensamentos e sentimentos do paciente a respeito da comida e do ato de comer devem ser levadas em consideração. A nutrição comportamental busca resgatar o prazer em comer de forma equilibrada.” A educação nutricional e a detecção de comportamentos alimentares por vezes “distorcidos”, segundo a nutricionista, são parte essencial do processo. Entre as ferramentas de comunicação utilizadas, ela destaca algumas: o mindful eating (comer consciente), já amplamente utilizado na área da saúde; as entrevistas motivacionais; e o comer intuitivo, que parte de exercícios sutis que trabalham a autopercepção de fome e saciedade do paciente. “É claro que quem sofre de transtornos alimentares não tem esse ‘termostato’, então não usamos a ferramenta do comer intuitivo nesses casos, mas outras práticas comuns da nutrição comportamental são altamente recomendadas, como a entrevista motivacional”, acrescenta a profissional, ressaltando que o tratamento é personalizado segundo as necessidades e preferências de cada um.

O perigo das dietas restritivas

Um problema recorrente dentro da nutrição hoje, segundo a profissional, é o excesso de informações – nem sempre verdadeiras ou completas – e a velocidade com que elas chegam até nós. “Está tudo muito dicotomizado: isso é saudável, aquilo eu não posso comer nunca mais. A relação com o alimento tem sido extremista. As pessoas se esquecem do que elas realmente gostam de comer e não param pra pensar no porquê fazem as escolhas que fazem: será que é porque meus pais me ensinaram assim? Ou é porque disseram que é o certo? O que eu gosto de comer? O problema não é quando eu como um pedaço de bolo, é quando como o bolo inteiro e o que me motiva a essa atitude”, afirma.

Para a nutricionista, são dois os principais perigos das dietas restritivas: “Quando a pessoa se restringe muito, não consegue criar hábitos permanentes, o que pode significar um ganho do peso perdido após um tempo. Outro ponto é que, ao restringir nutrientes da alimentação, você acaba gerando um déficit em alguma parte. Comida, que antes significava prazer, hoje tem sido sinônimo de punição e culpa e isso não pode ser considerado saudável”.

Mudança de hábitos e mentalidade

Ao contrário do que diz aquele velho ditado, Maria Aparecida não acredita que sejamos aquilo que comemos, mas sim que o que – e quanto – comemos representa como nos sentimos. “É o que acontece, por exemplo, quando, em um momento de ansiedade, a pessoa come muito. Um alimento não pode representar uma pessoa, seus sonhos, caráter, pensamentos. Não conseguimos saber o que uma pessoa come só de olhar para ela.”

Muitas vezes, segundo a nutricionista, o paciente chega ao consultório com hábitos arraigados que precisam ser desconstruídos. Ela cita como exemplo o caso de um paciente cuja mãe sempre disse que não podia deixar sobrar comida no prato e, assim, a pessoa continuava comendo mesmo depois de saciada.

Segundo a profissional, a orientação nutricional abrange públicos de todas as idades. “No caso das crianças, a partir dos 5 anos já é possível trabalhar com metas e incentivos.”

Maria Aparecida Ferreira da Silva Bonfim, nutricionista (CRN8-2435)
Instituto Innove
Avenida Ayrton Senna da Silva, 550, sala 201, Londrina PR
(43) 3328-0001

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