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Saúde

Baleia azul, término trágico da adolescência

O jogo Baleia Azul vem deformando o adolescer, pois também implica em se rebelar contra os pais, explica a psicopedagoga Dorotéia Múrcia.

Da redação

 A sociedade pós-moderna vem vivenciando um colapso social, presenciando-se uma transição de uma nova era sob uma nova ordem, e esta passagem vem trazendo com ela, como em todo encerramento de fase, uma desorganização de referências de vida. Esse momento de transição oscila entre o modelo da era industrial e da era digital e já sofremos um grande impacto por esse mundo digital que nos dá mostras do que deve ser. O setor industrial, comercial e empresarial necessitará repensar seus modelos de negócios, profissões desaparecerão e novas surgirão, a forma como a sociedade está organizada e a maneira como nos relacionamos uns com os outros e a formação das famílias também passarão por transformações.

 Em meio a todas essas mudanças, nossas crianças e jovens perdem o parâmetro do sentido de pertencer dentro da família, nos grupos sociais, na escola, etc. Na adolescência, o idealismo é uma característica do adolescente normal ou deveria ser, quando se indigna diante das injustiças e arbitrariedades do mundo. Sendo nessa fase que ocorre o distanciamento dos pais, o momento em que o adolescente entra em contato com a realidade para encontrar-se consigo mesmo com todas as dificuldades, turbulências e satisfações que essa busca determina. Uma fase bastante importante em que a ambivalência emocional se manifesta com muita intensidade.

E frente a todo esse processo nos deparamos com um jogo que na atualidade nomeia-se de “Baleia Azul”, mas já teve uma variação de nomes, um jogo cruel que vem deformando o adolescer, pois para se encontrar consigo mesmo implica ter que abandonar a proteção dos pais e para abandonar é necessário se rebelar contra eles e colocar toda sua energia de vida para lutar intensamente com seus conflitos complexos. Para que no término de sua adolescência possa ser um adulto que irá construir sua própria história e seguir sua vida.

 O jogo encontra a vulnerabilidade do momento e, com a expansão das mídias digitais como celulares, smartphone com internet, vem ganhando uma grande proporção e tem despertado a curiosidade de muitos adolescentes e jovens lidando com seus conflitos no processo de seu desenvolvimento encontrando uma forma de se rebelar, induzida por um jogo criminoso que começa quando, em uma página privada do Facebook, o jovem recebe instruções para cumprir 50 desafios, sendo o último, tirar a própria vida. Entre estes desafios estão: se automutilar, desenhar uma baleia no seu corpo, tirar self assistindo filmes de terror, entre outros. O que torna este jogo criminoso e ainda mais preocupante é que o instrutor ameaça aqueles que pretendem desistir, se tornando uma verdadeira prisão para aqueles que ingressam.

 Perceba que os adolescentes à procura de reconhecimento são altamente seduzidos a se embrenhar por caminhos perigosos, sendo a população-alvo certa para o jogo, pois estes jovens são atraídos pelo terror, o desconhecido é um componente vital para criar o medo em alguém, principalmente quando este alguém vive um estado de desconstrução do mundo infantil na sociedade pós-tradicional, na era digital onde a adolescência aparece como um período de indefinição, ao contrário da sociedade tradicional, quando eram oferecidos ritos de passagem, os quais auxiliavam o adolescente a ingressar no mundo adulto.

Defrontando-se com os jogos cruéis, o adolescente precisa dos adultos, pessoas com as quais ele se identifica e, ao mesmo tempo, o façam se  perceber diferente deles. Mas o que acontece é que os adultos atuais se comportam também como adolescentes, tão perdidos quanto eles. Diante dessa realidade atual, o adolescente em processo de desenvolvimento descobrindo a sexualidade, enfrentando as transformações do corpo, por vezes passando por bullying, tendo aumento de peso, viciado em mídias sociais e jogos de game, com poucas habilidades sociais que geram muita insegurança para lidar com estas novas possibilidades de existir; vivencia uma enorme angústia e dores emocionais profundas, que, caso não descobertas e não cuidadas, podem desencadear um quadro de depressão que, ao se agravar, produz pensamentos suicidas, deixando-o suscetível a este tipo de jogo.

 Pais e educadores, olhem para os adolescentes, suspeitem quando estes estão isolados em seus quartos ou hipnotizados com seus smartphones, vivendo em uma sociedade confusa sem parâmetros definidos para os auxiliarem neste processo de desenvolvimento. Eles gritam por socorro, pois se encontram desesperançosos em construir uma vida no futuro. Ofereçam ajuda, dialoguem com eles, criem um espaço para expressarem suas opiniões, medos e angústias. Facilitem o esclarecimento de suas dúvidas, procurem por um psicólogo. Sugiro um tratamento para a família, que todos juntos lutem por essa causa. Assim, nossos adolescentes não serão sequestrados emocionalmente por criminosos que querem roubar-lhes a vida.

Dorotéia Murcia Souza - CRP 03534-8
Psicóloga Clínica e especialista em Psicopedagogia
Centro de Desenvolvimento do Potencial Humano
R. Fernando de Noronha, 720
Londrina - PR
(43) 3026-7990
Site: http://www.doroteiamuercia.com
www.cdph.com.br


Baleia Azul, Adolescencia, Psicopedagogia, Dorotéia Múrcia Souza, Editora Sucesso, Revista Sucesso, Revista Bem-estar
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