Revista Sucesso

Atualizado em 14/05/2018

Educação

As consequências da alfabetização precoce

Apressar a alfabetização pode impedir o desenvolvimento natural, com consequências para o prosseguimento da construção do conhecimento

Da redação

Para que haja aprendizagem é necessário que a criança desenvolva alguns pré-requisitos que lhe são naturais, “como o desenvolvimento e a percepção do esquema corporal, a coordenação motora global, a coordenação motora fina, a lateralidade, a orientação espacial, a orientação temporal, a discriminação auditiva e visual”, Mussini, 2009. São percepções que a criança apreende antes do período escolar. Com esses pré-requisitos, a criança estará pronta para o processo ensino e aprendizagem, desde que sejam respeitadas as suas fases naturais de desenvolvimento.

De acordo com Rodrigues (2008), “a primeira infância é um período lúdico, de descobertas. Não pode haver pressão para o sucesso nem cobranças. Os adultos deveriam se importar mais em criar filhos felizes, que brinquem bastante, do que investir em uma educação pesada antes dos 6 anos.”

No entanto, ocorre um processo comum promovido, principalmente, pelos pais e mesmo por muitos professores que pode ser chamado de apressamento cognitivo.



E no que consiste esse processo?

Iniciar a alfabetização sem dados concretos sobre a maturidade ou antes que a criança esteja pronta e preparada para tal, é incorrer num grande risco, pois poderá acarretar dificuldades intransponíveis logo no início do processo de aprendizagem. No entanto, certos pais e mesmo certos professores, ao perceberem a facilidade que a criança apresenta em aprender, tendem a apressar sua aprendizagem, sem atentar para a falta de maturidade em todos os conceitos antes mencionados. É fato que essa criança aprenderá, mas também é fato que ela poderá apresentar problemas em algumas áreas da aprendizagem e até mesmo na coordenação motora.

O apressamento cognitivo é um dos fatores que podem impedir a criança de se desenvolver naturalmente, com consequências para o prosseguimento da construção do conhecimento.
Como lidar com a expectativa das famílias quanto ao processo de alfabetização de suas crianças?

Na verdade, o desenvolvimento da criança na compreensão do sistema alfabético e dos usos e práticas da escrita é uma surpreendente demonstração de sua capacidade criativa. A criança repete, de certa forma, a trajetória criativa da humanidade na invenção da escrita e de seus usos e práticas, basta que não  atropelemos sua criatividade com a impaciência de poupar tempo e “ensinar” logo o que já sabemos… e com a ansiedade para que ela “aprenda” logo o que é preciso deixar que ela, em seu próprio ritmo, construa, com as oportunidades que vão sendo oferecidas a ela para essa construção.

Salientamos, então, que a Educação Infantil pode auxiliar no desenvolvimento das diversas faculdades da criança, sem cansá-la, sem oprimi-la, sem excesso e, principalmente, sem apressar sua seriação. Nessa fase escolar, os professores deverão compreender que a produção da criança indica possibilidade e não produto, ou seja, a criança ainda não está pronta para obter resultados do tipo “oficial”, pois como postula Vygotsty (apud OLIVEIRA, 2003, p. 56), “o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”. Ao seu tempo, a criança chegará ao “produto”, basta esperar sua necessária maturação.



Sem pressa... respeitando o ritmo e o tempo da criança

Nos lugares que frequentamos com nossas crianças, letras são vistas em todo canto como nos anúncios, nas propagandas, embalagens, roupas, tapetes, cortinas, nos brinquedos e até nos utensílios de cozinha. No entanto a criança só irá escrever, ler e entender quando  neurologicamente estiver amadurecida para isso. O caminho é muito longo e requer um amadurecimento também na parte emocional da criança.

Assim, desenvolver algumas habilidades previamente à alfabetização, o que chamamos de “prontidão” contribui com o desenvolvimento cognitivo da criança, pois sua entrada na escola exige primeiro aprender a compartilhar a atenção da professora com mais crianças,  entender, compreender e aceitar as regras, lidar com frustrações e obrigações, esperar a vez, ter autonomia nas atividades de higiene, vestuário e alimentação, entre tantos outros quesitos que o amadurecimento  propicia. Prontidão implica em perceber sensorialmente formas,  orientar-se no espaço, perceber direções, lateralidade e ter equilíbrio. É orientar-se no ritmo, é saber ouvir, estar atento, ter concentração e sobretudo é conhecer o sentido do que está percebendo; conhecer as palavras, suas relações e seu simbolismo. É poder controlar o corpo, inibir movimentos amplos para usar motricidade fina.  

As brincadeiras de corpo como rolar no chão, se arrastar, engatinhar, dar cambalhotas, pular, andar, correr, subir e descer escadas, pular corda colaboram para a aquisição da coordenação motora, para o equilíbrio e a percepção corporal de si e sua relação com o espaço circundante. Desta forma, a criança vivenciando ativamente  as três dimensões no espaço se  prepara para a aquisição da escrita e da leitura. As habilidades motoras finas que o exercício da escrita exige vem muito depois da criança ter usado seu corpo todo nas brincadeiras livres e de parquinho (balanço, escorregador, trepa-trepa, gira-gira, gangorra, terra, areia e água).


Luciana Moura Zangaro, Pedagoga, Socióloga, Educadora há 24 anos, idealizadora e proprietária da Galileo Kids.

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Educação infantil, alfabetização, seriação, brincadeira, Luciana Zangaro, Galileo Kids, Londrina
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