Revista Sucesso

Atualizado em 10/05/2018

A lei explicada

Alfabetismo funcional e os rumos da saúde

Faz-se necessário que a  integral informação esteja presente nas relações contratuais entre os usuários dos serviços de saúde e profissionais.

Da redação

Numa era em que se fala em tecnologia de ponta, com a revolução 4.0, conectando pessoas e  objetos, com o avanço da IoT (Internet of Things), ou seja, “Internet das  Coisas”, faz-se necessário que a  integral informação esteja presente nas relações contratuais entre os usuários dos serviços de saúde e profissionais.

Verifica-se um avanço acelerado nas prestações de serviços tecnológicos, e, em especial no ramo da Saúde, com tratamentos não invasivos, com a menor manipulação  de campos a serem cirurgiados,  utilizando-se o instrumento de vídeo, não necessitando do manuseio mecânico.

Já existem exames laboratoriais e de imagem de última geração, com custos mais acessíveis e resultados mais rápidos, onde o profissional de saúde, acessando sua tela do computador, tem acesso a toda a informação necessária do paciente, o que lhe proporciona a possibilidade de um perfeito diagnóstico e por consequência o prognóstico.

O paradoxo que se instala é que por um lado o avanço tecnológico contribui para um ganho à sociedade como um todo, oferecendo o melhor tratamento de saúde, com custo e tempo reduzido,  e o Brasil enfrenta uma crise sem igual, conforme apurou o  Banco Mundial, o qual, após pesquisas realizadas, concluiu que o Brasil vai demorar 260 anos, para atingir o nível educacional dos Países desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática.

Em pesquisa realizada em fevereiro de 2016 pelo Instituto Paulo Montenegro e ONG Ação Educativa, que contou com o apoio do Ibope Inteligência, através do medidor de indicação de   Alfabetismo Funcional (Inaf), o perfil da população brasileira entre 15 e 64 anos  apresenta:

• 4% de Analfabetos, não dominam as habilidades testadas;

• 23% possuem Alfabetismo Rudimentar, entendem textos muito simples (calendários, tabelas simples, cartazes informativos), comparam e escrevem textos simples (horários, preços, cédulas/moedas, telefone, etc.), resolvem problemas simples do cotidiano, reconhecem sinais de pontuação.  

• 42% possuem Alfabetismo Elementar, entendem textos de extensão média, realizam operações básicas com números da ordem do milhar, conseguem realizar algumas tarefas de planejamento e controle (compra, troco, valor de prestações sem juros), conseguem comparar informações numéricas ou textuais em gráficos ou tabelas simples, etc.)

• 23% possuem Alfabetismo Intermediário, interpretam textos jornalísticos e científicos com algum entendimento, resolvem operações matemáticas mais complexas, possuem maior entendimento nos cálculos de juros simples, medidas de área e escalas, reconhecem o efeito de sentido e estético de escolhas lexicais ou sintáticas, de figuras de linguagem, sinais de pontuação, etc., e

• 8% possuem Alfabetismo Proficiente (considerado o mais avançado nível de alfabetismo funcional), interpretam e elaboram textos de maior complexidade, interpretam tabelas e gráficos mais complexos, resolvem situações e problemas de contextos diversos, etc.

Constatou-se ainda que o percentual por nível de alfabetismo, considerando a escolaridade, é ainda mais grave, vejamos:

• No ensino médio há 1% de analfabetos, 20% de alfabetismo rudimentar, 45% de alfabetismo elementar, 55% de alfabetismo intermediário e 45% de alfabetismo proficiente.

• No ensino superior ou com mais graduação, há 3% de alfabetismo rudimentar, 13% de alfabetismo elementar, 31% de alfabetismo intermediário e 45% de alfabetismo proficiente.• Somente 8% da População Brasileira tem plena condição de compreender situações complexas, de se expressar adequadamente, quer utilizando a escrita ou a fala.

Esta realidade mostra, com tristeza, que a População Brasileira não tem condição de compreender, interpretar informações complexas, o que agrava a relação no sistema de saúde, quando o profissional de saúde não atenta para este fato.

O profissional de saúde precisa implementar em seus serviços uma integral informação, através do consentimento informando claramente e transparente, com linguagem de fácil entendimento, contendo informação de possibilidade de tratamento alternativo, ou mesmo do não tratamento, contendo informação dos efeitos pré, durante e pós o tratamento, etc.

O profissional de saúde deve manter um diálogo com o paciente, de forma simples, humilde, apresentando a ele alternativas factíveis, não gerando falsas esperanças, utilizando da empatia, a fim de estabelecer um vínculo de respeito mútuo, onde a responsabilidade possa ser dividida na proporção das partes envolvidas.

Não agindo o profissional de saúde com a cautela necessária, estará fragilizado, pois não pode invocar para sua defesa que colheu “consentimento informado”, se o mesmo não apresenta as cautelas necessárias para o entendimento de uma população, da qual apenas 8% é considerada alfabetizada proficiente.

E no afã de evitar litígios, o profissional de saúde deve sempre estabelecer o diálogo assertivo com o paciente, a fim de evitar a geração de conflitos, e possíveis ações indenizatórias.

Nilza Aparecida Sacoman Baumann de Lima
Baumann Sacoman Advocacia
Av. Higienópolis, 210  -  7º andar,  sala 704

Londrina -PR
Tel: (43) 3343-0013


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