Revista Sucesso

Atualizado em 08/08/2016

Qualidade de vida

Além da droga da obediência

Diagnóstico pode mascarar falhas na educação, tanto familiar quanto escolar

Da redação


 Bianca Bagnatto Borge,

Atualmente, podemos constatar, numa conversa informal, o aumento no número de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No dia a dia, ouvimos pais e professores discorrendo sobre comportamentos rotulados como hiperativos. Nesse cenário, o mais comum é sabermos da utilização de tratamento medicamentoso para o TDAH, como sendo o “problema da vez”, e que pode estar a serviço de mascarar falhas na educação, tanto familiar quanto escolar.

Esse transtorno é comportamental e, muitas vezes, requer acompanhamento psicológico para avaliação e tratamento de questões que vão além de uma possível falha neuroquímica do cérebro. A questão colocada aqui é a forma como se faz o diagnóstico e o tratamento de uma criança que pode estar tentando sinalizar, através de sua “hiperatividade”, um pedido de atenção, de limites e outras faltas que podem estar presentes em seu ambiente.

Infelizmente, debaixo de interesses de laboratórios e indústrias que se beneficiam da doença e dos doentes, e não da saúde, observa-se um movimento que cresce em detrimento de outras formas de tratamentos que não o medicamentoso. A realidade no Brasil é um aumento preocupante na prescrição e uso do metilfenidato (ritalina), substância apelidada de a “droga da obediência”, que, talvez, aja amordaçando sintomas saudáveis e próprios da infância, porém vistos como inadequados por uma geração de pais, médicos e professores que não mais conseguem lidar com as questões do desenvolvimento infantil.

Como o outro lado da mesma moeda, temos crianças faltantes de limites e atenção, e, de certa forma, conscientes das limitações dos seus responsáveis, e que se comportam de forma abusiva também. É inegável que as crianças gritam e correm... por limites. Assim, o uso de uma pílula que promete fazer a criança se comportar parece a solução mais plausível, mesmo diante do desconhecimento dos efeitos colaterais futuros nesses cérebros ainda em formação.

Não se trata de dizer que nenhum caso necessita do tratamento com remédios, e sim de reconhecer que vivenciamos, atualmente, a cultura da medicalização e que é preciso mais critérios nos diagnósticos e nas alternativas de tratamento.

Este é um ponto importante para reflexão por parte dos profissionais que lidam com crianças, ressaltando que o trabalho psicoterapêutico traz bons resultados, mesmo demandando mais tempo, pois acolhe a criança e trabalha os demais aspectos que estão envolvidos em seu contexto.

 Bianca Bagnatto Borge,
psicóloga, CRP 08/22662
PSICAM - Avenida Higienópolis, 70, sala 73
Londrina/Pr
 (43) 8446-5606

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