Revista Sucesso

Atualizado em 29/11/2016

Educação

Adaptação na educação infantil

Pedagoga e socióloga Luciana M. Zangaro escreve sobre como encarar as mudanças advindas desse processo

Da redação

A entrada da criança na escola é um momento marcante. Em primeiro lugar, é importante que essa decisão seja tomada de maneira consciente, levando em conta tanto as necessidades dos pais quanto as da criança. A primeira infância é a fase de maior e mais rápido crescimento e desenvolvimento humano: constitui a base de sua construção enquanto pessoa e acolhe as primeiras experiências e significados do mundo. Aos poucos (e bem cedo, talvez até antes do nascimento), as necessidades das crianças vão se ampliando: além dos cuidados com alimentação, sono e higiene, elas precisam de oportunidades para conhecer, explorar e aprender o complexo mundo das coisas, das sensações, das relações humanas. Escolas de Educação Infantil são especializadas em administrar, com responsabilidade, cuidados, atenção e educação, oportunidades sociais e materiais para o desenvolvimento dos pequenos.

O processo de adaptação

Adaptações são parte integrante do desenvolvimento, já que as pessoas estão continuamente adaptando-se a novos momentos, ambientes e situações ao longo do ciclo vital. Quando a criança ingressa na escola são muitas novidades: novos espaços para explorar, novas pessoas para conviver, novos sons para escutar, até novas regras para entender. Algumas novidades podem ser imediatamente motivadoras, outras podem causar estranhamento no início. Sentimentos e comportamentos inesperados em relação à escola podem aparecer. Então, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. Quanto mais a criança estiver habituada e afetivamente ligada ao ambiente escolar, mais naturalmente ela poderá encarar mudanças, novidades e medos. A adaptação depende, dentre outros fatores, das características da criança, de sua idade e da fase de desenvolvimento em que se encontra; e das características dos familiares e das pessoas envolvidas no ambiente escolar. O processo de adaptação costuma ser um momento de emoções diversas, encantamentos e ansiedades para todos. Criar vínculos e uma relação de confiança demanda tempo.

O que muda durante o processo
O processo de desenvolvimento da criança dá um salto com a entrada na escola. Ela prontamente reconhece um mundo de possibilidades e experiências bem mais amplo. Sua percepção e consciência de mundo podem provocar uma tempestade de sentimentos e consequentes mudanças de comportamento também em casa, que envolvem dualidades tanto do reconhecimento de conquistas, confiança, autoafirmação da autonomia, quanto de dúvidas e inseguranças. Dentre as mudanças, pode aparecer: recusa de alimentação ou mudança de apetite, excitação, agitação ou quietude, cansaço, irritação, birras, choro, apego e demonstração de comportamentos anteriores ou infantilizados. É importante que essas mudanças, que são temporárias ou cíclicas, sejam acolhidas e respeitadas – que seja oferecido tempo e paciência para que a criança supere essas questões, sem deixar de lado a certeza de que essas são mudanças que justamente impulsionarão as conquistas e desenvolvimento da criança para próximas etapas e desafios.

Readaptando sempre que preciso

A adaptação não é um processo que se encerra. Ela permanece em contínua transformação e não se restringe ao ingresso na escola, pois inclui mudanças de grupo ou de educadora, retornos após ausências, novas habilidades conquistadas, novidades trazidas pelas relações. Sentimentos e comportamentos novos em relação à escola podem aparecer. E, mais uma vez, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. E fazer isto em parceria com a escola, trocando ideias e informações será excelente para todos superarem, juntos, o momento.