Revista Sucesso

Atualizado em 09/10/2017

Empresas e negócios

A onda da palpitaria

Existe uma tendência de as pessoas persuadirem as outras quando dizem ter credibilidade sobre o tema que abordam, o chamado Gatilho da Autoridade.

Da redação

De uns tempos para cá muita gente passou a se intitular expert, ainda que o seu nível de conhecimento esteja mais próximo dos palpiteiros que opinam a torto e direito sobre política ou futebol no centro da cidade. É só navegar na Internet para você colher inúmeros exemplos.

Essa onda se intensificou nos últimos anos desde que estudos consolidaram aquilo que já sabíamos na prática. Existe uma tendência de as pessoas persuadirem as outras quando dizem ter credibilidade sobre o tema que abordam, o chamado Gatilho da Autoridade. Isso, aliás, explica por que valorizamos tanto a roupa branca do médico ou o terno do advogado.

É natural nos curvarmos a especialistas. O problema é que muita gente que diz ser um deles não é. O que apareceu de guru financeiro, life coach e personal-não-sei-o-quê nos últimos meses é uma coisa que realmente chama a atenção. Se você acredita em todos eles, uma dica: também precisa dar ouvidos ao Menino do Acre.

Até algum tempo atrás, conseguíamos identificar realmente quem era especialista em algo. Hoje, como novas áreas do conhecimento têm desabrochado e ainda não há peritos reconhecidos em várias delas, charlatões estão aproveitando a capacidade de comunicação deles, o diploma do curso que fizeram no último fim de semana e o grande alcance das mídias digitais para enganar os desavisados.

De vez em quando acompanho meus clientes em reuniões com possíveis fornecedores que são, no mínimo, uma perda de tempo. Muitas empresas que dizem ser inovadoras não têm um case sequer para mostrar e, a meu ver, só estão em busca de cobaias que aceitem remunerá-las como especialistas enquanto adquirem o tipo de experiência que já publicam em seus sites.

O espaço que estas pessoas estão ganhando no mercado tem muita relação com a angústia que boa parte dos dirigentes das companhias enfrentam por não encontrar respostas satisfatórias para os seus desafios. Daí, quando alguém diz que sabe o caminho das pedras, logo se desmancham. “Até que enfim, alguém pode nos ajudar.”

Fique atento a alguns dos sinais de quem gosta de ludibriar. Ele geralmente se veste de modo moderninho, dirige um veículo de última geração, despeja termos em inglês, adora apresentações PowerPoint e não tem resultados para mostrar. Vive de promessas e aparências.

Com um mundo gradativamente complexo, especialistas continuarão a ser muito importantes nos próximos anos. No entanto, é importante saber separar os experts dos fanfarrões. Seu dinheiro, sua empresa e a sua saúde agradecem.

Aprendi que se não tenho algo de bom a dizer, o melhor é ficar quieto. Os palpiteiros de plantão pensam exatamente o contrário: o negócio é sair emitindo opiniões a torto e a direito. Eles sabem que muita gente confunde empáfia com credibilidade.

Ainda bem que a ignorância não é eterna. Dizia Abraham Lincoln: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo.” A onda da palpitaria, como tantas outras, passará.

Wellington Moreira
Palestrante e consultor empresarial
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