Revista Sucesso

Atualizado em 10/05/2018

Empresas e negócios

A inequidade não favorece o desenvolvimento econômico

Poderosas instituições financeiras estão mudando o jeito de jogar o jogo econômico.

Da redação

Poderosas instituições financeiras estão mudando o jeito de jogar o jogo econômico. O Banco Central Europeu que antes defendia a redução dos salários passou a ser um forte apoiador do aumento da renda das famílias. Depois de um longo período defendendo e praticando ideias opostas ao restabelecimento do vigor econômico europeu, principalmente em razão do achatamento salarial que resultou numa das maiores crises já vividas pela Europa.

Os construtores do Establishment (grupo político no exercício da autoridade em defesa de seus próprios interesses) representados na pessoa de Mario Draghi, banqueiro e economista italiano, presidente do BCE, estão a indicar que a emissão de moeda não tem sido capaz de estimular a economia. Ledo engano dessa personalidade... A questão é de fácil entendimento. O dinheiro impresso pelo Banco Central Europeu não vai para aqueles que o necessitam, ou seja, não vai para as mãos dos cidadãos ou para os cofres do Estado.  Esse dinheiro passa por uma via indireta que promove o deleitamento dos especuladores. Sem embargos, tem como destino principal os bancos e as grandes empresas que acumulam esses recursos otimizando os seus benefícios. Um processo de concentração de renda que impede o bom aumento da demanda doméstica. Bem por isso, Mário Draghi recomenda agora que se aumentem os salários como forma de promover o crescimento econômico pelo aumento da renda média das famílias.

Ao que parece, os neoliberais estão criando juízo. Nos Estados Unidos os dois partidos majoritários (Democratas e Republicanos) propõem agora que se eleve às alturas o investimento público como forma de recuperar a estrutura física abandonada nos últimos tempos e também de estimular a criação de empregos para os jovens com postos de trabalho e boa remuneração.

A crise econômica, a perda de competitividade, o aumento do desemprego, a dívida pública e o comprometimento futuro das nações tornaram desacreditadas as políticas que antes apoiavam a globalização. Larry Summer, um dos principais idealizadores da política econômica de Bill Clinton, conhecido como arquiteto da desregulação financeira dos Estados Unidos, tornou-se agora grande entusiasta da regulação dos mercados e do investimento público massivo. Para aqueles conservadores liberais que seguem alegando que o incremento do gasto público resultaria numa herança maldita para os nossos filhos, em razão do crescimento da dívida pública, Summers responde agora afirmando que seria imperdoável, neste momento, não investir para deixar aos filhos e netos uma infraestrutura muito melhor que esta existente hoje.

 A Espanha, que detém um dos maiores sistemas bancários privados do mundo e também um dos maiores sistemas bancários públicos no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (organização que, aliás, abriga os países mais ricos do mundo capitalista), não reverte todo este potencial em favor da sociedade. A rigor toda essa riqueza caminha noutra direção. O processo de concentração da riqueza nas mãos dos especuladores promove transformações culturais inimagináveis, especialmente aquelas de não aceitação do status quo, que de um lado concentra a riqueza e de outro multiplica a miséria. Vêm daí as manifestações populares que mudam as regras da política econômica, fiscal e monetária em favor das classes populares.

O Banco Central Europeu (neoliberal juramentado), ao pedir hoje aumento de salários para os trabalhadores, funciona como uma resposta direta ao temor de que os protestos venham a se expandir por todo o território europeu. Mais uma vez se impõe a máxima de que por trás de toda mudança na política econômica estão presentes as pressões decorrentes de tudo que pode ser percebido pela consciência ou pelos sentidos. São elas que estabelecem os fenômenos econômicos, e não o contrário.

No Brasil, as manifestações sociais devem retornar. Na esteira das mobilizações, por justiça e segurança, virão os protestos contra a corrupção com forte apelo em defesa da lava jato, diante dessa odiosa tentativa de sepultar e/ou impedir o bom trabalho da polícia federal, do ministério público e dos respeitáveis juízes da primeira e segunda instância.

O elevado nível de desemprego entre os jovens é forte combustível no conjunto das mobilizações. Ao governo resta abandonar a cartilha neoliberal e caminhar dentro dos ensinamentos de Celso Furtado impedindo o aprofundamento da crise econômica.  Com poucas diferenças, o projeto “Planos e metas de Juscelino Kubitschek” é atualíssimo. Precisa ser rapidamente restabelecido.  A modificação à qual me refiro para os dias de hoje, exige a securitização dos recebíveis do setor público via Tesouro Nacional ao valor de face. Virá daí a possibilidade de se restabelecer o vigor financeiro do setor público e com ele a sustentabilidade das Parcerias Público-Privadas, do crescimento econômico e do bem-estar das famílias brasileiras.

“A equidade sim, favorece o desenvolvimento econômico num ambiente de paz e tranquilidade”.

Inequidade, desenvolvimento econômico, economia
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